Apesar das novas tentativas de reaproximação dos advogados de Daniel Vorcaro para reabrir as negociações para um acordo de colaboração premiada, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, já deixou claro que “fechou as portas” para qualquer iniciativa nessa direção.
Conforme informou o blog, o último movimento de Vorcaro foi uma conversa reservada do advogado Sérgio Leonardo com Paulo Gonet, no salão branco do Supremo Tribunal Federal (STF), na semana passada. No espaço, frequentado por advogados e ministros antes das sessões e em intervalos de julgamentos, Leonardo disse a Gonet que seu cliente estava disposto a fazer uma nova oferta e contar o que delegados e procuradores queriam saber, mas o procurador-geral rechaçou a ideia de bate pronto.
“A defesa tentou retomar o assunto, mas Gonet fechou as portas”, resumiu uma fonte que acompanha de perto as movimentações nos bastidores.
A iniciativa de Vorcaro é vista com desconfiança tanto pela Polícia Federal quanto pela PGR por dois motivos. O primeiro é que os investigadores avaliam que o banqueiro tenta um “truque” e segue sem disposição de fazer uma confissão real dos crimes cometidos no bilionário esquema de corrupção e fraude que veio à tona.
Também acham que “só o celular de Vorcaro já é uma delação”, ou seja, apontam que o material extraído dos aparelhos celulares do banqueiro e de outros alvos da investigação fornecem provas robustas suficientes para o avanço do caso, sem depender de um acordo de colaboração firmado com Vorcaro.
Transferência para a Papudinha
Outro sinal do congelamento das negociações foi a decisão do relator do caso Master, ministro André Mendonça, de transferir na última quinta-feira (25) Vorcaro da Superintendência da PF no Distrito Federal para o 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, conhecido como “Papudinha”.
Na cadeia, Vorcaro está na mesma cela do ex-presidente Jair Bolsonaro por um período de pelo menos 10 dias, por conta de um “isolamento sanitário” recomendado pela própria Vara de Execuções Penais. O objetivo é afastar o risco de ele eventualmente ter contraído alguma doença ou infecção que possa se espalhar na Papudinha – procedimento comum adotado com detentos que passam por esse tipo de transferência.
Além de Vorcaro, está detido na Papudinha outro potencial delator do caso Master, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, também preso no bojo das investigações de um esquema de corrupção e fraude bilionária.
Ao determinar a transferência do banqueiro para o batalhão, Mendonça determinou que o presídio adotasse as “providências necessárias para preservar a incomunicabilidade entre os custodiados presos em razão da denominada Operação Compliance Zero”.
“A medida deverá ser implementada de forma proporcional e compatível com a rotina administrativa e de segurança da unidade, sem prejuízo da observância dos direitos mínimos assegurados às pessoas privadas de liberdade”, ressaltou o ministro.
O batalhão da PM oferece aos detentos condições melhores do que o resto do complexo prisional de Brasília, com chuveiro quente, cozinha com possibilidade de preparo e armazenamento de alimentos, geladeira, armários, cama de casal e TV.
Apesar de geograficamente localizada na área da Papuda, a Papudinha é administrada pela Polícia Militar, e não pela secretaria de administração penitenciária do DF.
