Fluxo de petróleo em Ormuz supera 10 milhões de barris por dia e desafia Irã

Fluxo de petróleo em Ormuz supera 10 milhões de barris por dia e desafia Irã

O transporte marítimo comercial pelo Estreito de Ormuz disparou nas últimas semanas, com o apoio militar dos Estados Unidos ajudando a elevar o fluxo de petróleo para mais de 10 milhões de barris por dia, disse uma autoridade americana.

O avanço desde que o presidente Donald Trump assinou um acordo interino de paz com o Irã representa um forte aumento no tráfego após a guerra paralisar os fluxos. Isso pegou Teerã de surpresa, evidenciando sua capacidade agora mais limitada de interromper a circulação pelo corredor e ajudando a desencadear ataques recentes na região do estreito, afirmou a autoridade, que pediu anonimato para descrever avaliações internas.

A República Islâmica ganhou poder de barganha ao estrangular o estreito durante o conflito, o que incentivou Trump a aderir a um cessar-fogo e a negociações, em meio à queda das reservas de petróleo e à disparada dos preços de energia, fatores que tornaram a guerra politicamente insustentável. O regime, no entanto, continua insistindo que manterá algum controle sobre o tráfego marítimo, chegando a sinalizar que alguns navios poderão ter de pagar taxas de passagem.

Mesmo antes da trégua, os EUA já vinham adotando medidas para enfraquecer o controle de Teerã sobre o estreito. Camadas de apoio militar defensivo coordenadas pelo Comando Central dos EUA, incluindo poder aéreo e forças navais, deram a transportadoras mais confiança para mover petróleo pela porção sul da hidrovia, mais próxima de Omã, disse a autoridade.

O número de 10 milhões está, em linhas gerais, em linha com dados de navegação já reportados pela Bloomberg.

A navegação no estreito paira sobre as negociações indiretas desta semana no Catar, das quais participam os negociadores americanos Steve Witkoff e Jared Kushner. O destino da capacidade nuclear iraniana e a possibilidade de o país controlar o tráfego por Ormuz estão no centro das discussões.

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Segundo a autoridade, os EUA pressionam o Irã a cumprir as cláusulas marítimas do memorando de entendimento e a firmar um acordo de longo prazo que garanta a livre circulação comercial. O memorando prevê tráfego sem cobrança de pedágio durante o período de 60 dias de negociações, deixando em aberto o que ocorrerá depois disso. Trump e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, já disseram que tanto pedágios quanto taxas por serviços marítimos seriam inaceitáveis em um acordo final.

O Irã não aceitou publicamente as exigências americanas para o estreito.

Na semana passada, o Irã violou as medidas negociadas com os EUA ao lançar um ataque com drone contra um navio porta-contêineres de bandeira de Cingapura. O episódio desencadeou uma onda de ataques de retaliação que abalou a trégua entre os dois países.

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A decisão de Trump de suspender novos ataques e permitir a continuidade das negociações foi o sinal mais recente de que ele não está disposto a correr o risco de ampliar os custos econômicos da guerra. O presidente americano já disse que não quer ser lembrado como Herbert Hoover, que ocupava a Casa Branca na época do crash de 1929 que desencadeou a Grande Depressão.

Analistas alertam que essas considerações econômicas e políticas podem encorajar o Irã a arrastar as negociações, potencialmente reduzindo a capacidade de Trump de forçar Teerã a fazer concessões importantes. A retomada do tráfego por Ormuz representa mais um retorno ao status quo anterior à guerra lançada por EUA e Israel do que propriamente um novo avanço diplomático.

Ainda assim, o governo americano vê os ataques da semana passada como evidência de que Teerã tenta reafirmar seu controle sobre o estreito depois de perceber que sua capacidade de paralisar o tráfego é limitada, segundo a autoridade.

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A capacidade restrita do Irã de monitorar o tráfego longe de seu litoral também prejudicou sua percepção sobre a movimentação no corredor sul de trânsito, o que levou a uma percepção relativamente tardia sobre a dimensão dos fluxos de petróleo na região, disse a autoridade.

Antes da guerra, o Estreito de Ormuz respondia por cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo e gás natural liquefeito, com um fluxo médio diário de cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto e combustíveis. Agora, com pelo menos 10 milhões de barris por dia voltando a passar pelo estreito, somados a 5 milhões por rotas alternativas, o fluxo se aproxima dos níveis normais.

Ainda assim, fazer o Irã recuar de sua ambição de controlar o estreito não será simples. O principal negociador iraniano, Mohammed Bagher Ghalibaf, disse à TV estatal na terça-feira que a soberania sobre o corredor pertence ao Irã e a Omã. Embora o principal diplomata de Omã tenha afirmado que os planos para Ormuz não envolvem a cobrança de “taxas de trânsito”, o país informou a autoridades europeias que algumas cobranças podem ser necessárias, segundo reportagem da Bloomberg.

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Transportadoras, executivos do setor de petróleo e outros agentes do mercado alertam que qualquer pedágio — ou taxas disfarçadas com outro nome — constitui violação inaceitável do direito internacional e criaria um precedente perigoso, com potencial para estimular cobranças semelhantes em outras rotas marítimas.

Mesmo após os ataques de lado a lado, embarcações continuaram atravessando o estreito, sinal de maior confiança na postura dos EUA e do alcance limitado do Irã. O fluxo contínuo também pode ter sido impulsionado pela expectativa de que Teerã evitaria ataques com consequências ecológicas catastróficas, disse a autoridade americana.

No ataque da semana passada ao navio de carga, por exemplo, a ponte de comando foi danificada, mas não houve vítimas, o que permitiu que a embarcação seguisse viagem.

© 2026 Bloomberg L.P.

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