A morte de Benedito Ruy Barbosa, nesta terça-feira (7), aos 95 anos, reacendeu a memória de novelas que marcaram gerações e transformaram a televisão brasileira. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, o autor criou personagens que atravessaram o tempo, mas foram, sobretudo, suas protagonistas femininas que ajudaram a construir um dos legados mais marcantes da dramaturgia nacional. Longe do estereótipo da mocinha convencional, suas heroínas eram mulheres fortes, independentes e profundamente conectadas às transformações sociais e culturais do país.
Em uma época em que boa parte das novelas concentrava suas histórias nos grandes centros urbanos, Benedito voltou o olhar para o interior do Brasil e fez das mulheres o eixo emocional de suas tramas. Agricultoras, imigrantes, sertanejas e figuras envoltas em lendas populares ocuparam o centro da narrativa, conduzindo histórias que misturavam romances, conflitos familiares e disputas por terra.
Entre todas elas, Juma Marruá ocupa um lugar singular. Interpretada por Cristiana Oliveira na versão original de “Pantanal”, exibida em 1990, a personagem entrou para a história da televisão como a mulher criada em meio à natureza e cercada pela crença de que se transformava em onça.
A interpretação transformou a atriz em um fenômeno nacional e ajudou a consolidar a novela como um dos maiores sucessos da dramaturgia brasileira.
