Uma nova espécie de “cão-urso”, grupo de mamíferos carnívoros extintos que compartilhavam características com cães e ursos, foi descrita por pesquisadores a partir da reanálise de um fóssil descoberto há mais de três décadas na Espanha. O animal, batizado de Paludocyon moyasolai, viveu há cerca de 16 milhões de anos em uma região de lagos e áreas pantanosas que ocupava parte da atual Catalunha, durante o Mioceno. A descoberta foi publicada na revista científica Journal of Mammalian Evolution.
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Embora o fóssil tenha sido escavado na década de 1990 no sítio paleontológico de Els Casots, na bacia de Vallès-Penedès, os cientistas só recentemente concluíram que ele pertencia a uma espécie até então desconhecida. O material permaneceu por anos em coleções científicas até ser reavaliado em estudos mais detalhados sobre a evolução dos anficiônidos, família extinta conhecida popularmente como “cães-ursos”.
Os pesquisadores analisaram um crânio parcialmente preservado, deformado pela fossilização, mas com boa parte da dentição intacta, além de um molar inferior isolado. A comparação com fósseis de outras espécies da Europa e da América do Norte revelou uma combinação inédita de características anatômicas.
Único centro de triagem de animais silvestres no RJ está fechado
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Único centro de triagem de animais silvestres no Rio, em Seropédica, está fechado após surto de tuberculose em macacos. O lugar já não recebia animais do estado do Rio devido a problemas judiciais com o Inea. Agora, a situação se agrava. — Foto: Pedro Henrique Antunes / Ibama-RJ
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Único centro de triagem de animais silvestres no Rio, em Seropédica, está fechado após surto de tuberculose em macacos. O lugar já não recebia animais do estado do Rio devido a problemas judiciais com o Inea. Agora, a situação se agrav — Foto: Pedro Henrique Antunes / Ibama-RJ
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Único centro de triagem de animais silvestres no Rio, em Seropédica, está fechado após surto de tuberculose em macacos. O lugar já não recebia animais do estado do Rio devido a problemas judiciais com o Inea. Agora, a situação se agrava — Foto: Pedro Henrique Antunes / Ibama-RJ
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Único centro de triagem de animais silvestres no Rio, em Seropédica, está fechado após surto de tuberculose em macacos. O lugar já não recebia animais do estado do Rio devido a problemas judiciais com o Inea. Agora, a situação se agrava — Foto: Pedro Henrique Antunes / Ibama-RJ
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Único centro de triagem de animais silvestres no Rio, em Seropédica, está fechado após surto de tuberculose em macacos. O lugar já não recebia animais do estado do Rio devido a problemas judiciais com o Inea. Agora, a situação se agrava — Foto: Pedro Henrique Antunes / Ibama-RJ
Primatas foram atingidos por surto de tuberculose
O principal diferencial estava nos dentes. Segundo os autores, o segundo molar superior era proporcionalmente mais largo do que o observado em outras espécies conhecidas do gênero Paludocyon, enquanto o terceiro molar apresentava um tamanho incomum. Na paleontologia, detalhes da dentição são considerados fundamentais para identificar espécies, reconstruir relações evolutivas e inferir hábitos alimentares.
Apesar do nome popular, os chamados “cães-ursos” não eram ancestrais diretos dos cães nem dos ursos modernos. Eles pertenciam à família Amphicyonidae, um grupo de mamíferos carnívoros que surgiu há cerca de 40 milhões de anos e desapareceu aproximadamente 7 milhões de anos atrás. Compartilhavam um ancestral distante com as duas linhagens atuais, mas seguiram um caminho evolutivo próprio.
A nova espécie parece ter sido menor e mais ágil do que alguns de seus parentes mais conhecidos. A anatomia dos dentes sugere uma dieta predominantemente carnívora, capaz de processar tanto carne quanto partes mais resistentes das presas, como ossos.
Paisagem muito diferente da atual
Na época em que Paludocyon moyasolai viveu, a região onde hoje fica a Catalunha tinha um aspecto muito diferente. Segundo os pesquisadores, Els Casots era formado por lagos rasos, pântanos e vegetação abundante, em um clima mais quente e úmido do que o atual.
O ambiente reunia uma grande diversidade de vertebrados, incluindo pequenos herbívoros, crocodilos, mustelídeos e outros carnívoros primitivos. O conjunto de fósseis preservados no sítio ajuda cientistas a reconstruir como eram os ecossistemas europeus durante o Mioceno, período marcado por importantes mudanças climáticas e pela diversificação de mamíferos.
Além de descrever a nova espécie, os autores realizaram uma análise das relações evolutivas entre diferentes anficiônidos. Os resultados reforçam que o gênero Paludocyon representa um grupo distinto dentro da família e indicam que algumas classificações adotadas anteriormente para esses animais poderão ser revistas com a descoberta de novos fósseis.
O nome da espécie também presta homenagem à história da paleontologia catalã. O termo Paludocyon deriva do latim palus, que significa “pântano”, em referência ao ambiente onde o animal viveu. Já moyasolai homenageia o paleontólogo Salvador Moyà-Solà, pesquisador reconhecido por seus estudos sobre mamíferos fósseis e por sua participação nas primeiras escavações realizadas em Els Casots.
