A China recuperou, nesta sexta-feira (10), pela primeira vez, o primeiro estágio de um foguete orbital, passo que aproxima o país dos Estados Unidos na disputa por domínio do espaço. A operação ocorreu no lançamento inaugural do Long March 10B, da base de Wenchang, na ilha de Hainan, no Sul do território chinês. Cerca de dez minutos depois, o propulsor se separou do estágio superior e desceu sobre o Mar da China Meridional, onde foi capturado por uma rede instalada em um navio, sem o uso de pernas de pouso, técnica inédita até então.
O sistema desenvolvido pela estatal China Aerospace Science and Technology Corporation (CASC) utiliza cabos tensionados sobre o convés do navio Linghang Zhe. Eles formaram uma armação que suspende o propulsor no ar, já com os motores de pouso desligados.
O modelo se diferencia tanto da técnica da SpaceX, que pousa seus propulsores sobre pernas em plataformas marítimas ou bases terrestres, quanto do método usado no foguete Starship, capturado por braços mecânicos presos à própria torre de lançamento. Ao eliminar o peso das pernas e recolher a estrutura a certa distância da base, a engenharia chinesa economiza combustível na descida e preserva capacidade de carga.
Com cerca de 63,6 metros de altura, o Long March 10B tem dimensões próximas às do Falcon 9, o atual cavalo de batalha da SpaceX. O primeiro estágio reúne sete motores movidos a querosene e oxigênio líquido, batizados YF-100K, enquanto o segundo estágio conta com um único motor a metano, o primeiro do tipo utilizado pela CASC em voo.
