O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a responsabilidade pela decisão de aplicar uma tarifa de 25% a produtos brasileiros, publicada na madrugada desta quinta-feira pelo governo americano. Horas depois, na manhã desta quinta, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) usou o mesmo argumento para atacar o presidente nas redes sociais.
Na manhã desta quinta, Flávio Bolsonaro publicou que Lula “não tem mais condições de ser o presidente do Brasil” e que o país está “num avião sem piloto”. O senador chamou o petista de “Biden brasileiro” e escreveu que quem olha para Lula enxerga “passado, atraso, incerteza, desconfiança, corrupção, incompetência, vingança”.
“Lula não tem mais condições de ser o presidente do Brasil. Estamos num avião sem piloto. O Biden brasileiro está ranzinza, inconsequente e se tornou um perigo para a nossa nação. Quem olha pro Lula não enxerga futuro. Enxerga passado, atraso, incerteza, desconfiança, corrupção, incompetência, vingança… Chega!O Brasil tem futuro, mas não tem mais tempo a perder!”, diz a publicação do senador.
A mensagem de Flávio respondia a publicação de Rubio, que foi publicada no X por volta da meia-noite, quando a tarifa era oficializada no Diário Oficial americano. O chefe da diplomacia de Donald Trump escreveu que não deveria haver “confusão” sobre o motivo da medida: segundo ele, Lula e seu governo não negociaram de boa-fé com os EUA, e o presidente teria colocado “o próprio ego” à frente de um acordo pelo bem-estar dos brasileiros. As tarifas, afirmou, são “o preço” dessa escolha.
A tarifa é resultado de uma investigação comercial americana, a Seção 301, que apurava supostas práticas desleais do Brasil — do tratamento dado ao Pix ao desmatamento ilegal. Flávio compareceu pessoalmente à audiência pública da investigação, em Washington. Na noite de quarta-feira, em entrevista a jornalistas, um alto funcionário da Casa Branca confirmou a participação do senador, mas negou articulação: “Não houve nenhuma reunião minha ou da equipe do USTR com Flávio Bolsonaro”. Segundo ele, a investigação não está sendo usada para fins políticos.
