Rema, rema, rema, norueguês… não tem jeito: a divertida coreografia dos vikings (e, melhor ainda, com o torcedor chato que não queria participar no meio) é uma das imagens mais fortes da Copa que chega ao fim, ao lado de Michel Mboladinga homenageando o libertador congolês Patrice Lumumba e do carismático goleiro cabo-verdiano Vozinha.
Afinal, gostamos ou não gostamos de uma Copa com 48 seleções? Aqui no lado pop, foi até bom: muita gente ouviu falar de Cabo Verde pela primeira vez, nove seleções africanas passaram de fase, o ritmo frenético de três, quatro e até seis jogos por dia ainda hoje abre um buraco na alma de muita gente, seca por um Corinthians x Remo (calma, quinta-feira tem) que seja. Teve jogo chato? É claro que teve, mas isso também acontecia em Copa com 16, com 32, plenas de seleções loucas por um zero a zero. Em 1982, por exemplo, o Grupo A, de Itália, Polônia, Peru e Camarões, terminou a segunda rodada com quatro empates e dois gols marcados. Que sono!
É claro que o lado político também gritou, o que é péssimo — vide os maus tratos com a seleção do Irã, o visto negado ao próprio Mboladinga e a suspensão suspensa do atacante americano Balogun, obtida através do mais desavergonhado pistolão — , mas tem seu lado bom: só não enxerga os absurdos quem não quer.
Enfim, entre gaitas de fole (a animação dos escoceses é o extremo oposto de seu futebol), multidões de laranja e dancinhas diversas, fica de 2026 o que já se sabe desde 1930: Copa do Mundo é bom demais.
