A querida Bruna Lombardi, carioca, 73 anos, tem mais de uma opção quando, por exemplo, tiver que declarar sua profissão a um recepcionista de hotel que faz o check-in. Além de atriz, ela, que atuou em mais de 30 novelas, minisséries e filmes, é também, entre outras atividades no meio artístico e cultural, uma escritora celebrada. É o que mostra sua agenda na Flip, a festa literária que começa na próxima quarta-feira, dia 22, e vai até domingo, 26.
Bruna, em Paraty, lança o romance “Mulheres que sentem os espíritos”, editado pela Record. É seu 14º livro, uma jornada literária elogiada, entre outros, por nomes como Rubem Fonseca, Mario Quintana, Ferreira Gullar e Chico Buarque — por sinal, foi ele quem fez o prefácio de “No ritmo dessa festa”, em 1976, sua estreia no mundo das letras.
Além disso, na Flip, Bruna participará de três mesas de debates com Tati Bernardi (Casa Sesc), Tatiana Paranaguá (Casa Record) e Leonêncio Nossa (Casa da Cultura). O encontro com Leonêncio, biógrafo de Guimarães Rosa, tem um sabor especial porque ela também está relançando, pela Autêntica, o livro “Diário do Grande Sertão”, em que relata os bastidores da minissérie “Grande sertão: veredas”, da Globo, exibida em 1985, com direção de Walter Avancini. Na minissérie, Bruna interpreta Diadorim, o grande amor de Riobaldo (Tony Ramos), sem que este saiba que se trata de uma mulher disfarçada de homem.
Veja o que diz Bruna sobre essas suas duas “profissões”:
“O curioso é que, quando lancei meu primeiro livro, “No ritmo dessa festa”, tive a surpresa de ele ser muito bem recebido no meio intelectual e, mesmo assim, todas as matérias e entrevistas me dividiam em duas. Inclusive o próprio prefácio do Chico sugeria essa dualidade entre a escritora e a atriz, como se unir as duas não fosse uma tarefa simples na cabeça do público. Minha poesia não combinava com o meu rosto nas capas de revista. Tive que batalhar para unir o que sou e o que faço. Ou seja, ser eu mesma. Até que, depois de um bom tempo, finalmente consegui superar essa dicotomia quando passei a escrever roteiros, produzir, dirigir e atuar em nossos filmes e nas temporadas de “A vida secreta dos casais”, da HBO. De duas passei a ser várias, e sei que agora consigo ser vista como uma só: uma artista multifacetada.
