A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, apresentou nesta segunda-feira uma notícia de fato ao procurador-geral Eleitoral, Paulo Gonet, pedindo a abertura de investigação sobre a participação do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção nacional do PL que oficializou a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
A petição sustenta que há indícios de “ingerência externa indevida” no processo eleitoral brasileiro e solicita que o Ministério Público Eleitoral apure as circunstâncias da visita, incluindo sua organização, financiamento e eventual utilização de recursos públicos.
A representação também cita como alvos o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o próprio Flávio Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em razão da recepção oficial oferecida a Milei antes da convenção partidária. Segundo a federação, a participação institucional do governador e a concessão da Ordem do Ipiranga ao presidente argentino, seguidas da presença no evento político, justificam a apuração sobre eventual integração entre a agenda oficial e a agenda partidária.
Na peça, os advogados afirmam que Milei extrapolou uma manifestação de caráter político ao fazer um discurso em defesa de Flávio Bolsonaro. Segundo a petição, o presidente argentino afirmou que apenas o senador poderia “parar Lula”, configurando, na avaliação da federação, um pedido explícito de voto em favor do pré-candidato e um pedido implícito de não voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
