O ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB-PR) anunciou nesta sexta-feira que desistiu da candidatura própria ao governo do Paraná e que aceitou ser vice na chapa do ex-secretário estadual de Infraestrutura Sandro Alex (PSD), escolhido como sucessor do governador Ratinho Junior (PSD). A costura foi oficializada em uma entrevista coletiva nesta tarde, concedida ao lado do atual prefeito da capital paranaense, Eduardo Pimentel (PSD), apadrinhado por Greca na eleição municipal de 2024.
No anúncio, Greca também entregou simbolicamente a Sandro Alex o seu plano de governo, criado durante a sua pré-campanha. Na ocasião, Ratinho também discursou, referindo-se ao sucessor escolhido como “a nova safra” da política paranaense e elogiou a experiência de Greca na política.
Tornado público nas vésperas da convenção estadual do MDB, marcada para o próximo domingo, o arranjo foi precedido por semanas de negociação para o convencimento de Greca a abrir mão da candidatura. Até março deste ano, Greca também era filiado ao PSD e disputava dentro do partido pelo aval do governador para ser lançado na disputa pelo Palácio Iguaçu. Em março, no entanto, ele decidiu trocar a sigla pelo MDB ao considerar que seria preterido.
Desde então, o ex-prefeito deu diversas declarações negando a hipótese de ser vice, mas enfrentou dificuldades para fechar sua coligação. Na semana passada, viu Sandro Alex obter apoio da federação União-Progressista, antes vista como a principal aposta de aliança pelo emebista.
Até março deste ano, Greca também era filiado ao PSD e disputava dentro do partido pelo aval do governador para ser lançado na disputa pelo Palácio Iguaçu. Em março, no entanto, ele decidiu trocar a sigla pelo MDB ao considerar que seria preterido.
Dados da pesquisa Genial/Quaest divulgados nesta semana mostraram Greca numericamente na frente, com 12%, mas empatado no limite da margem de erro (3 pontos percentuais) com o candidato do PSD. Os dois, no entanto, pontuam abaixo do senador Sergio Moro (PL), que aparece na liderança com 39%, e do deputado estadual Requião Filho (PDT), com 18%. Já em um cenário sem Greca, os votos dele migram tanto para o ex-juiz da Lava-Jato (40%) quanto para o pedetista (24%), enquanto Sandro Alex passa a ter 9%.
Dentro do PSD, no entanto, há a expectativa para que o cenário mude com o início oficial da campanha e com o trabalho feito pelo ex-secretário para reverter seu elevado índice de desconhecimento (68%). Além de ter Ratinho Júnior em seu palanque, Sandro também passará a ter a imagem associada a Greca, popular e bem avaliado em Curitiba, cidade em que o perfil dos eleitores é visto como mais conservador e propenso a endossar Moro.
Mesmo após o anúncio de Greca como vice, ainda há indefinição no desenho final da chapa majoritária, uma vez que uma das indicações ao Senado ainda está em aberto. A vaga é cobiçada pela jornalista Cristina Graelm, que chegou ao segundo turno na disputa pela prefeitura de Curitiba em 2024, mas foi derrotada por Pimentel.
Recém-filiada ao PSD a convite de Ratinho, ela tem provocado, no entanto, incômodo dentro do grupo político do governador no estado, em especial do Republicanos, que ameaça não embarcar na chapa se a jornalista for incluída. Interlocutores argumentam que ela atrapalharia os planos do presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (Republicanos), que foi lançado como pré-candidato ao Senado e precisaria disputar os votos dos eleitores da direita com Graelm.
Uma candidatura de Cristina também tende a desagradar Pimentel. Em 2024, os dois disputaram o apoio dos eleitores de direita na capital paranaense. Os dois trocaram farpas e acusações em debates e peças publicitárias. Além disso, apesar de Pimentel ter escolhido como vice o ex-deputado Paulo Martins (Novo), na época filiado ao PL, Graeml recebeu o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em um vídeo publicado nas redes sociais.
Já o MDB, por sua vez, aposta na candidatura ao Senado do ex-senador Álvaro Dias (MDB-PR) e tenta negociar espaço para ele na chapa majoritária. Na pesquisa Genial/Quaest desta semana, ele apareceu na liderança, com 20%, e em seguida aparecem com 10% os nomes de Curi, do ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo) e da ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT).
