
O grupo criminoso que trocou tiros com agentes da Polícia Federal nas proximidades do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, nesta sexta-feira, pretendia colocar 400 quilos de cocaína em um avião que iria partir para a Europa. Em nota, a PF afirmou que cinco malas com a substância ilícita chegaram a ser levadas para o interior da aeronave e que outras quatro caixas foram abandonadas pelos traficantes.
São Paulo: Agentes da PF trocam tiros com criminosos que tentavam carregar avião com cocaína com destino à Europa
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Por volta das 14h30, as equipes federais detectaram uma movimentação atípica em um setor de acesso restrito. Distribuídos em quatro veículos, os invasores abriram um buraco na cerca de arame do aeroporto para introduzir a carga ilícita. Ao serem flagrados pela segurança, os suspeitos abriram fogo contra os policiais, sem registro de feridos.
Como rota de escape, os criminosos entraram no canteiro de obras do Rio Baquirivu, nos limites de Cumbica, fugindo em direção a uma área de mata fechada. Na fuga, a quadrilha deixou para trás os pacotes de drogas e diversos aparelhos celulares.
Todo o material foi apreendido e encaminhado à delegacia da PF, onde será periciado para tentar identificar os mandantes e integrantes da facção.
Um cerco tático foi montado com o apoio da Polícia Civil, Polícia Militar e da Polícia Militar Rodoviária. Imagens aéreas registradas pelo Globocop, da TV Globo, mostraram o amplo contingente de forças de segurança vasculhando a vegetação no entorno do Rio Baquirivu. O delegado Tom Blumer, do Garra, disse à Globonews, que a polícia ainda não sabe qual seria a logística dos traficantes para despachar as drogas via aeroporto, mas chamou a atenção o fato de o transporte ter sido feito em plena luz do dia.
O que diz a Polícia Federal
“A Polícia Federal atuou, nesta sexta-feira (31/7), em uma ocorrência envolvendo a tentativa de introdução de grande quantidade de cocaína em uma aeronave no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos/SP. No curso da ação, indivíduos tentaram inserir a droga em uma aeronave que seguiria para a Europa.
As equipes da Polícia Federal intervieram rapidamente, frustraram a conduta criminosa e apreenderam o entorpecente. Durante a fuga, ao menos um dos envolvidos efetuou disparos de arma de fogo contra os policiais federais. Ninguém ficou ferido.
A Polícia Federal apreendeu aproximadamente 400 kg de cocaína, acondicionados em cinco malas já colocadas na aeronave e em outras quatro caixas abandonadas pelos criminosos. As diligências prosseguem para identificar e localizar todos os envolvidos, bem como esclarecer as circunstâncias da ação criminosa.”.
Outros casos em Cumbica
O episódio desta sexta-feira destoa do método tradicional do narcotráfico, que costuma aliciar funcionários terceirizados para infiltrar entorpecentes de forma silenciosa nas bagagens e, preferencialmente, durante a madrugada. Uma investida ostensiva à luz do dia é rara, mas a presença de facções explorando as brechas do perímetro externo não é uma novidade e, recentemente, foi pivô de uma crise institucional nos bastidores da segurança aeroportuária.
A Receita Federal já havia detectado a fragilidade do perímetro externo e mapeado a ação de criminosos na região. Segundo o órgão aduaneiro, a movimentação de uma quadrilha de tráfico de drogas no entorno do Aeroporto de Guarulhos foi identificada em ao menos seis situações distintas recentemente.
A concessionária GRU Airport informou apenas que houve uma intervenção da Polícia Federal no local, sem mais detalhes sobre a ocorrência.
Esse histórico de incursões pela área de mata reforça que as facções buscam ativamente rotas alternativas, longe das catracas e esteiras de bagagem, para introduzir entorpecentes na zona de pistas.
Em junho do ano passado, a Polícia Federal constatou que traficantes operavam três drones vindos de uma comunidade vizinha para monitorar a polícia e tentar colocar 150 kg de cocaína (em três pacotes de 55 kg) dentro da área restrita do aeroporto.
O incidente provocou o cancelamento de seis voos e afetou outros 35, resultando na interrupção total dos pousos e decolagens por 46 minutos na primeira ocasião, com uma paralisação total estimada em cerca de uma hora e meia a duas horas de impacto ao longo da noite.
Além do tráfico, o aeroporto de Guarulhos também foi palco de um crime de repercussão nacional, em plena luz do dia. Em novembro de 2024, por volta das 16h, na entrada da área de desembarque do Terminal 2, o empresário e corretor de imóveis Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, de 38 anos foi fuzilado por criminosos encapuzados que desembarcaram de um carro preto no local.
Gritzbach havia firmado um acordo de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo para entregar esquemas de lavagem de dinheiro da facção criminosa PCC (envolvendo mais de R$ 30 milhões) e denunciar a participação de policiais corruptos. No ataque, o motorista Celso de Novais também foi atingido e morreu.
