Óculos escuros, camisa de treino, churrasco, mate, cumbia e brincadeiras nas redes sociais durante a Copa do Mundo. Poderia ser apenas mais um jogador da seleção argentina nos Estados Unidos, mas trata-se de Claudio “Chiqui” Tapia. Presidente da Associação de Futebol da Argentina, o dirigente tem aproveitado o ótimo momento do time de Lionel Messi, que amanhã vai brigar pelo título contra a Espanha, para renovar a sua imagem em meio a polêmicas extracampo e problemas na organização do futebol local.
Cercado por polêmicas, que vão desde críticas sobre a arbitragem e mudança de regulamento com campeonatos em andamento à investigações do FBI sobre possível lavagem de dinheiro e diversos processos judiciais envolvendo as finanças pessoais e da AFA, Tapia se agarra na seleção para reverter a sua imagem pública.
Desde o começo da Copa até a noite de ontem, Tapia havia feito 141 publicações no seu Instagram pessoal. Fotos no vestiário com os jogadores, reuniões regadas a mate com Messi e De Paul (sempre antes de cada jogo), os já tradicionais vídeos dos churrascos pós-jogo, quando aparece com camisa de treino e, muitas vezes, ajudando os assadores, imagens comemorando os gols da seleção e, depois, com uma bola de cada jogo da Argentina… Tapia é praticamente um “influencer” da seleção. Quase sempre, de óculos de sol.
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Em postagens depois da vitória sobre a Inglaterra na semifinal, ele também aproveitou para provocar com um vídeo dando “bom dia” em inglês e uma foto com a música “Wonderwall”, do Oasis, em ritmo de cumbia.
Todo esse movimento já rendeu brincadeiras sobre a “aura” de Ciqui Tapia. Ele chegou a publicar uma montagem em um tom messiânico, com uma silhueta colorida e legenda assumindo o apelido “Chique Aura”, que também já apareceu em uma faixa na torcida da Argentina.
Nos comentário de uma postagem, o argentino Facundo Álvarez representou o sentimento de muitos: “Te odeio, mas te amo”.
— Não é casualidade, é estratégia. Para ele, cada vitória da seleção não é apenas um sucesso esportivo, mas uma oportunidade de reconstruir sua imagem pública desgastada — publicou Gonzalo Abascal, editor do Clarín.
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As polêmicas no futebol argentino
Até pouco tempo, no entanto, a sensação era outra. Recentemente, após decisões controversas da AFA, viralizou nas redes e até em muros de Buenos Aires a frase “O Mundial mais caro da história”, como se o tricampeonato no Catar tivesse custado a perpetuação de Tapia no poder.
Em 2025, por exemplo, a AFA mudou as regras do campeonato nacional durante a competição, dando um troféu ao Rosario Central pelo melhor desempenho da tabela anual — antes, apenas os vencedores do Apertura e do Clausura ganhavam taças. Ainda no último ano, um suposto favorecimento ao Barracas Central, clube que foi presidido por Tapia e que hoje tem Matias Fabian Tapia, filho do manda-chuva do futebol argentino, na presidência, em um jogo decisivo contra o Huracán, e até a arbitragens polêmicas na semifinal da segunda divisão entre Deportivo Moron e Deportivo Madryn, que teria sido beneficiado, também geraram uma onda de protestos na Argentina.
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— São caminhos paralelos. Se reconhece o momento da seleção, mas a organização do futebol é muito criticada. Ele sempre o que quer — disse Diego Louzan, da Rádio La Red.
Até mesmo uma das imagens mais controversas de Tapia virou motivo de piada. Em 2024, durante a Copa América, viralizou um vídeo em que Luciano Nakis, presidente do Deportivo Armenio e diretor da AFA, aparecia secando a nuca de Tapia com uma toalha. “Seca-nuca” logo virou um apelido pejorativo, usado pra criticar quem muito bajulava o dirigente. Após a vitória sobre a Inglaterra, Chiqui deixou o estádio com Nakis novamente secando a sua nuca e, na frente das câmeras, brincou com Messi, que dava entrevista e riu ao ver a cena.
— Ele faz piada porque os resultados o estão ajudando — definiu Louzan.
