O setor de cooperativas continua a mostrar crescimento sólido, mesmo em tempos de incerteza, com desafios climáticos, macroeconômicos e na oferta de crédito no país. Em 2025, o número de brasileiros cooperados atingiu 29 milhões, uma alta de 12,5% ante o ano anterior, enquanto os ingressos avançaram 12% na mesma comparação, somando R$ 848 bilhões. Os dados são do Anuário do cooperativismo Brasileiro 2026, lançado nesta sex-feira (31) pelo Sistema OCB.
As cerca de 4,4 mil cooperativas espalhadas pelo Brasil (em 3.425 municípios) atingiram a marca de R$ 1,4 trilhão em ativos no ano passado (+14,9%) e responderam para 623, mil empregos diretos, um crescimento de 6,1% frente a 2024.
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Tania Zanella, presidente-executiva do Sistema OCB, destacou que hoje, 13,6% da população brasileira faz parte de alguma cooperativa, o que confirma a consolidação do modelo como forma de organização econômica e social do país.
“Os números do Anuário mostram que o cooperativismo continua crescendo de forma consistente e entrega resultados concretos para as pessoas. Cada novo cooperado representa alguém que escolheu participar de um modelo baseado na cooperação, na geração compartilhada de riqueza e no desenvolvimento das comunidades. O crescimento econômico das cooperativas demonstra que é possível conciliar competitividade, inclusão e prosperidade”, afirma Zanella.
Essa característica da inclusão pode ser comprovada por outro dado do Anuário: em 1.072 municípios brasileiros, a cooperativa é a única instituição financeira presente, o que ajuda a promover a inclusão bancária e o acesso ao crédito em regiões muitas vezes esquecidas pelo sistema tradicional.
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Crédito
Entre os sete ramos de atuação das cooperativas – em breve, serão oito, com a liberação aprovada para seguros – o de crédito é o maior quando observado o número de cooperados. Foram 22,96 milhões no ano passado (79,1% do setor), que representaram um incremento de 14,1% ante 2024.
Zanella acredita que as cooperativas representam um grande papel não só no acesso ao crédito com juros mais acessíveis, mas também na necessária educação financeira da população, uma meta do Banco Central que o setor tem incorporado desde sempre. “Hoje, as cooperativas, temos todo o portfólio de produtos das instituições financeiras, como um fundo garantidor”, disse, destacando a força da relação “olho no olho”, facilitada pelo fato de o cooperado ser, ao mesmo tempo cliente e dono.
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Ela também disse que a taxa de inadimplência do crédito nas cooperativas é a mais baixa do sistema financeiro.
Outros dados divulgados pela entidade mostram a força das cooperativas de crédito: nos locais onde elas atuam, há um acréscimo de R$ 3,9 mil em termos de PIB por habitante. O cálculo é que, a cada R$ 1 de crédito concedido pelas cooperativas, são gerados R$ 2,56 na atividade econômica.
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Agro
Se o setor de crédito lidera em número de cooperados, são as cooperativas agrícolas que estão à frente em produção. Clara Maffia, gerente-geral do Sistema OCB detalhou que o ramo é, por exemplo, líder em receita/ingressos, com R$ 487,3 bilhões (57,4% do total), montante que cresceu 11,2% ante 2024.
O ramo também é o maior empregador, com 277 mil pessoas (452% do total) e crescimento de 3,3% entre 2024 e 2025.
Nesse momento de forte endividamento no setor agrícola, com desafios climáticos crescentes e problemas decorrentes do protecionismo comercial, Maffia destacou que a resiliência das cooperativas agrícolas é um claro diferencial.
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No ano passado, as cooperativas de saúde atingiram um número de 20 milhões de beneficiados na área médica e 4,3 milhões na odontológica. “Entre as 20 operadoras médico-hospitalares que obtiveram nota máxima no IDSS [Índice de Desempenho da Saúde Suplementar, uma métrica da ANS], 18 são cooperativas”, destacou Maffia.
