Após empate na estreia, Uruguai de Bielsa volta a campo, contra Cabo Verde, em busca de afirmação

Após empate na estreia, Uruguai de Bielsa volta a campo, contra Cabo Verde, em busca de afirmação

Foram 80 minutos de luta até que Maximiliano Araujo encontrasse as redes em Miami e evitasse que o Uruguai estreasse na Copa com uma derrota para a Arábia Saudita. Considerar apenas o peso das camisas leva à conclusão de que o empate por 1 a 1 foi um tropeço para a Celeste, mas o diagnóstico atual pede mais pés no chão para os bicampeões mundiais.

A equipe de Marcelo Bielsa ainda tem toda a condição de avançar no grupo H, marcado também pelo surpreendente empate entre Espanha e Cabo Verde, adversário uruguaio às 19h de hoje, novamente no Hard Rock Stadium, em Miami, mas o olhar para dentro da equipe mostra alguns problemas.

Individualmente, a presença de nomes como Federico Valverde, astro do Real Madrid, é o suficiente para provar a capacidade do Uruguai em revelar grandes talentos, mas são poucos que estão sendo provados no mais alto nível.

Dos 26 convocados, apenas oito jogam em algumas das cinco principais ligas europeias, a quantidade mais baixa das últimas seis Copas do Mundo. Sete atuam no Brasil, entre representantes de Flamengo, Palmeiras, Fluminense e Internacional.

— Catalogamos a liga brasileira como a 6ª melhor do mundo, atrás das cinco grandes europeias. Então, isso não é um desmerecimento. Mas, sim, este elenco não chega como no Catar (em 2022), com muitos jogadores nas principais grandes ligas do mundo. Hoje, alguns jogam nelas, mas não com o protagonismo de outros momentos — analisa Juan Pablo Romero, editor de esportes do jornal uruguaio El País.

Hoje em dia, a crise está mais restrita ao futebol local, onde os gigantes Nacional e Peñarol vêm decepcionando. Enquanto as SAFs começam a crescer, os gigantes fazem campanhas ruins em âmbito local e internacional — nenhum deles avançou ao mata-mata da Libertadores.

Apesar disso e do empate na estreia da Copa, existe ainda alguma empolgação. Romero avalia que trabalho de Bielsa tem sido irregular, principalmente após a Copa América de 2024, mas vitórias contra Argentina e Brasil no ciclo das Eliminatórias animaram.

O elenco do Uruguai é o sétimo mais velho da Copa, com 28,4 anos. Porém, internamente, não se enxerga que houve dificuldade na renovação da geração de Luis Suárez, Edinson e Cavani — o único remanescente é o goleiro Fernando Muslera, de 40 anos.

—A média é alta, mas eu acho que é uma geração que tem de tudo: jogadores de 24, 25, 26 anos, como Facundo Pellistri; depois, a geração de Valverde, de Bentancur, Ronald Araujo, já com uma experiência chave para funcionar bem; e os jogadores com mais idade. Acho que dão o toque de experiência necessário — conclui o editor.

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