Poucas cidades desta Copa do Mundo testarão a resistência do torcedor aos extremos climáticos como Houston, no estado americano do Texas. A região, que historicamente se equilibra entre as altas temperaturas e as tempestades tropicais, recebe hoje Holanda x Suécia, o terceiro de sete jogos que acontecerão por ali. E um deles pode ser da seleção brasileira: caso a equipe avance em primeiro no seu grupo, disputará a fase seguinte, diante do segundo colocado do grupo F, justamente na cidade.
Enquanto a bola estiver rolando, jogadores e torcedores deverão ficar em paz. As partidas da Copa em Houston são disputadas no NRG Stadium, inaugurado em 2002 e que desde então é a casa do Houston Texans da NFL. Trata-se da primeira arena da liga de futebol americano dos Estados Unidos a contar com um teto retrátil, que demora apenas sete minutos para abrir ou fechar. Pensado desta forma para driblar os desafios climáticos no sul do país, o estádio usa um sistema de ar-condicionado a fim de manter o público confortável.
O grande desafio é mesmo o trajeto entre a casa e as arquibancadas. Houston — esta cidade bem americana em que a profusão de carros provoca engarrafamentos perturbadores nas suas inúmeras rodovias — tem registrado altas temperaturas nos últimos dias de primavera. Para hoje, a previsão nem é das piores, e os termômetros devem oscilar entre 28°C e 30°C do pré ao pós-jogo, com uma probabilidade alta de chuva forte. Para mitigar os efeitos do calorão, os organizadores têm distribuído garrafas de água para a torcida na chegada, como conta Annah, que esteve na partida entre Alemanha e Curaçao e hoje assistirá a Holanda x Suécia:
— Antes do jogo foi difícil. Estava muito calor, muito abafado do lado fora. Mas, assim que passamos pelo detector de metais, alguém que trabalha no evento nos deu uma garrafinha de água, e a experiência ficou mais tranquila, porque o estádio é climatizado.
Para quem se aventura na Fan Fest de Houston, no centro da cidade, as alternativas para escapar do calor são mais amplas. Por lá, há espaços climatizados, ventiladores que soltam partículas de água, estações para hidratação gratuita e até distribuição de protetor solar. Ainda assim, organizadores relataram à agência de notícias Reuters terem registrado ao menos 100 atendimentos em um único dia por mal-estar relacionado às altas temperaturas.
Outras iniciativas na região central tentam deixar o dia a dia mais agradável, como o “corredor verde” estruturado para o Mundial e que liga pontos importantes de Houston — primeiro por caminhada, depois por um trem sobre trilhos. A ideia é incentivar deslocamentos a pé na cidade avessa a eles.
Há muito mais tempo, o centro conta com uma rede de passarelas subterrâneas que ligam prédios comerciais, como escritórios, bancos, hotéis, restaurantes, entre outros. Tudo para fugir do calor que agora chega com tudo à Copa do Mundo.
