Em meios aos ruídos, que não param de crescer de intensidade dentro da Vale desde que a Previ pediu ao conselho de administração a destituição do chairman, Daniel Stieler, surgiu o surpreendente voto de outro integrante do colegiado, Marcelo Gasparino, na reunião do conselho na sexta-feira passada.
Lá pelas tantas, Gasparino, que é vice-presidente do colegiado, disparou uma bomba, que começou a circular no sábado, um dia após a realização da reunião:
“Nesta semana o PCA (Stieler) deu conhecimento aos membros deste conselho de administração de fatos graves que tomou conhecimento nos últimos anos, envolvendo o polêmico projeto “Bamim”, a nebulosa reabertura do processo de renovação antecipada das ferrovias, através da repactuação de valores e obrigações do referido processo, onde a Vale já antecipou o valor de R$ 4 bilhões de forma bastante intempestiva em dezembro de 2024, e o conflito de interesses envolvendo os denominados projetos “Mini-minas”, que resultou no interesse sobre alguns ativos para determinadas empresas próximas a autoridades públicas. Esses fatos devem ser apurados pelo CARE (comitê de auditoria) com rigor, pois a companhia não pode se sujeitar, ou concorrer, de forma alguma, a chantagens e/ou benefícios a “amigos do rei”. Registro meu repúdio e indignação em relação às informações que tomamos conhecimento nesta semana. Também reputo abominável a hipótese das reuniões do conselho de administração terem sido gravadas de forma clandestina, o que merece apuração e a devida reprimenda”.
Três conselheiros ouvidos ficaram espantados com Gasparino que, aliás, votou pela manutenção de Stieler no posto e se candidatou a chairman na assembleia de acionistas marcada para 22 de julho .
O motivo são acusações pesadas contidas voto.
Relatam que Stieler nunca teria dado, como ele diz no voto, “conhecimento aos membros deste conselho de administração de fatos graves que tomou conhecimento nos últimos anos” e que foram listadas por Gasparino. Ao menos nas reuniões do conselho elas não teriam sido discutidas desta forma .
Mais adiante, Gasparino sugere que pressão externa sobre a Vale ao afirmar que “a companhia não pode se sujeitar, ou concorrer, de forma alguma, a chantagens e/ou benefícios a “amigos do rei”. Seriam pressões do governo?
E, finalmente, diz que reuniões do conselho podem ter “sido gravadas de forma clandestina”.
