A portuguesa Carmim lançou mundialmente o Monsaraz Grande Reserva Branco e o Tinto no Rio de Janeiro. É a primeira safra desses vinhos, que prometem revelar a identidade do Alentejo. Segundo o enólogo Tiago Garcia, as uvas usadas nesses rótulos podem mudar, de acordo com a colheita:
— Não precisa necessariamente ser as mesmas uvas, os mesmos cortes, tem que ser um corte que seja diferente, lá está como nós queremos na linha Monsaraz. E não é todos os anos, mas em anos em que achamos que as uvas tenham qualidade.
Tiago revela que a linha Monsaraz não tem a proposta de ser um vinho clássico.
— Não é ser um vinho tão clássico como a linha Reguengos. Ele mantém essa identidade alentejana.Todas as nossas vinhas estão num raio de 15 km à volta da vinícola, ou seja, é tudo Reguengos. Você prova e sabe que é Alentejo. Mantemos a identidade juntando algumas castas típicas com uvas diferentes. Podemos dizer, quando vamos provar, que não é um clássico do Alentejo, mas desconfiamos que é da região.
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Tiago explica que a Carmim tem duas linhas principais. A Reguengos é a mais clássica, com mais tipicidade do Alentejo.
— Nela, usamos as variedades quase exclusivamente autóctones do Alentejo. Já na linha Monsaraz, tentamos manter essa autenticidade, mas aí incluímos as variedades que não são tão tradicionais ou não sejam originárias do Alentejo. No caso dos brancos, o Arinto, o Viozinho, o Verdelho. No caso dos tintos, a Touriga Nacional, a Touriga Franca, o Syrah, o Petit Verdot, o Cabernet Sauvignon. São uvas que vão bem lá, mas não são autóctones, ou seja, não são de originais do Alentejo. Principalmente o Syrah e as Tourigas.
Tiago detalha que a linha Reguengos inclui o Reguengos DOC, um vinho de entrada; o Reguengos Reserva e o Reguengos Garrafeira dos Sócios, de alta gama. Já a Monsaraz reúne o Monsaraz DOC, o Monsaraz Reserva e os varietais:
— Faltava-nos um vinho topo na linha Monsaraz e resolvemos fazer este Grande Reserva. É a primeira edição, estamos a fazer o lançamento exclusivo no Rio, ainda nem sequer foi apresentado em Portugal. Trouxe as garrafas na mala. Ainda não está em comercialização.
O Monsaraz Grande Reserva Branco 2023 é feito de duas variedades. Uma delas é a Antão Vaz, a uva branca rainha do Alentejo:
— Antão Vaz dá aquela parte mais de fruta branca, de melão, pera, maçã, e um pouco também de untuosidade. Ela é complementada com o Viozinho, que é típica do Douro, mas tendo ainda pouco e pouco mais presença no Alentejo. Ela traz mais mineralidade, um pouco de frescor. Nós fomos um bocadinho audazes, porque não é normal os vinhos brancos fazerem tanto estágio em barrica. É um vinho que fermenta em barrica nova, e depois faz 18 meses de estágio nessa mesma barrica ou seja, procuramos ter uma complexidade aromática maior, uma paleta de aromas maiores.
O enólogo explica que é um rótulo que se costuma chamar de um vinho branco de inverno:
— É aquele vinho um pouco mais estruturado, mais intenso, não é aquele vinho fresco, branco, que você toma assim na piscina. Ele puxa comida, é um vinho gastronómico, mais estruturado e que vai muito bem até com pratos de carne, porque é um vinho que tem essa estrutura e aguenta bem.
Já o Monsaraz Grande Reserva Tinto é elaborado com quatro variedades. São elas: Alicante Bouschet, que não é nativa, mas foi uma adotada pelo Alentejo; Touriga Nacional, Petit Verdot e Syrah.
— Fomos buscar a estrutura, os balsâmicos do Alicante Bouschet; o lado mentolado e fresco do Petit Verdot; o lado especiado do Syrah; e o lado floral, o lado violeta, o lado da flor de laranjeira da Touriga. Tentamos complementar isso tudo e fazer um vinho que mantenha frescor e muita fruta. Apesar de ser de 2021, é um vinho que ainda está muito jovem. Ele ficou 18 meses de estágio em barrica nova e 24 meses em garrafa. Tem riqueza aromática, complexidade, estrutura, concentração. Tem muita longevidade para diante.
Tiago Garcia diz que busca com essa linha apresentar vinhos mais modernos e inovadores, mas sempre mantendo a autenticidade:
— Tentamos fazer umas coisas um pouco diferentes, usar uvas diferentes também. Por isso é que, na linha Monsaraz, temos as coisas mais inovadoras. Temos a linha dos varietais, temos um Touriga Nacional, um Petit Verdot, um Syrah, um Sauvignon Blanc. Temos ainda os espumantes, um colheita tardia, um licoroso. Já tudo o que é mais clássico é na linha Reguengos. Achávamos importante a linha Monsaraz ter um vinho de topo, e então resolvemos fazer este lançamento.
