Convidados pelo governo federal para discutir o impacto do novo tarifaço americano, setores afetados também pelo fim da taxa das blusinhas aproveitaram o momento para reclamar da inundação de produtos asiáticos no Brasil e fazer apelos por soluções às autoridades. Os setores querem medidas de defesa comercial do país, desoneração tributária para os produtos concorrentes fabricados no Brasil e há também uma pressão no Congresso para deixar a medida provisória (MP) enviada em maio pelo governo caducar.
Para parte da indústria nacional, o tarifaço é um novo golpe após a isenção do imposto de importação sobre as remessas internacionais de até US$ 50, com a diferença que a desoneração dos produtos asiáticos foi obra direta do Palácio do Planalto. A decisão do governo de Luiz Inácio Lula da Silva foi motivada pelo efeito negativo que a taxa das blusinhas gera sobre a popularidade do presidente, que tenta a reeleição nas eleições de outubro.
Desde 2024, compras de até US$ 50 tinham imposto de importação de 20% — além de ICMS, geralmente em 17%, que permanece.
Números do programa Remessa Conforme, da Receita Federal, mostram que em junho, após a isenção, foram declaradas 28 milhões de encomendas de pequeno valor, alcançando R$ 2,6 bilhões. Esse volume representa mais que o dobro das remessas do mesmo período do ano passado, de 13,2 milhões (R$ 1,5 bilhão). Em abril deste ano, antes da MP, a quantidade de remessas somava 16,4 milhões (R$ 1,8 bilhão).
O assunto foi mencionado durante as conversas dos empresários com o governo sobre o tarifaço, comandadas pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa.
