O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quarta-feira (22) que não concorda com as declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, sobre as urnas eletrônicas. Ele sugeriu ao aliado, em evento de celebração dos 25 anos da Band News TV em São Paulo, que abandone discussão “que não leva a lugar nenhum”.
— Olha, eu confio nas urnas. Até porque, se não confiasse, eu não estaria disputando eleição. Foram as urnas que me trouxeram aqui. Então, eu sigo acreditando. Acho que a gente tem que discutir projetos, olhar o que o Brasil precisa. É sair dessa discussão que não vai levar a lugar nenhum e começar a pensar em projetos — disse.
Ontem, em um evento com representantes diplomáticos de 42 países, em Brasília, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro espalhou dados falsos sobre o sistema eletrônico de votação ao pedir que as nações enviem “a maior quantidade de observadores possível” para acompanhar a lisura do pleito deste ano. Como mostrou o GLOBO, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) classificaram o episódio como grave, e o PT ingressou com uma ação judicial por “fake news”, citando um dos processos que tornaram o ex-presidente inelegível.
Governador reage ao tarifaço
O governador de São Paulo também falou no evento da Band News TV, pela primeira vez, sobre o novo tarifaço americano de 25% às exportações brasileiras. Apesar de o estado ser o mais afetado pela medida no Brasil, ele manteve distanciamento da pauta mesmo com um embate aberto entre Flávio e o presidente Lula (PT) sobre a responsabilidade pelo caso.
— A gente tem que deixar de ficar procurando narrativa para entender a coisa. Isso é um prisma comercial, os países estão ali tentando defender os seus interesses. O americano defendendo o interesse dele, e o brasileiro tem que defender o seu interesse também — declarou Tarcísio, isentando de culpa o senador Flávio, cuja família demonstra proximidade com o presidente Donald Trump.
O governador afirmou que o caminho passa pelas negociações com as autoridades dos Estados Unidos, descartando a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica — “só agrava a situação e não vamos ganhar nada com isso”, nas suas palavras. E salientou que a investigação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) ocorre desde o ano passado, mas o Itamaraty “não logrou o êxito que poderia ter”.
— Obviamente, temos que considerar que muitos produtos estão na lista de exceções, mas ainda há uma gama importante de produtos fora. Isso prejudica frontalmente a economia do Brasil e de São Paulo, em função do nosso agronegócio e do setor de máquinas e equipamentos.
Tarcísio alegou ainda que uma negociação direta por parte das empresas, a chamada “paradiplomacia”, seria importante novamente neste caso. Ele relembrou a atuação da Embraer, que teve a cobrança de 10% interrompida em março de 2026 depois de gastar cerca de US$ 80 milhões em tarifas.
A respeito do pacote de ajuda anunciado pelo governo federal, Tarcísio declarou que aguarda os desdobramentos para “adequar as nossas medidas aqui, de maneira que elas caibam também no nosso espaço fiscal”. Uma das ações estudadas é antecipar a liberação de créditos de ICMS, para melhorar o fluxo de caixa dos negócios afetados.
