Um grupo de empresários e representantes de jogadores divulgou um manifesto público para defender a condução das negociações do futebol do Vasco durante a gestão do presidente Pedrinho. A manifestação ocorre no momento em que voltam ao centro do debate os apontamentos feitos pelo Conselho Fiscal no parecer sobre as demonstrações financeiras de 2025, cenário intensificado pelo afastamento de Pedrinho por decisão judicial em ação movida pela 777 Partners.
No documento, os agentes afirmam que todas as negociações envolvendo valores de contratações, salários, remunerações, comissões de agenciamento e percentuais de direitos econômicos sempre foram conduzidas diretamente pelos executivos do departamento de futebol. Eles citam nominalmente Rodrigo Dias, responsável pela base, e Marcelo Sant’Ana, Admar Lopes e o ex-CEO Carlos Amodeo no futebol profissional.
O grupo também afirma permanecer à disposição do Vasco para prestar esclarecimentos e “reafirmar a verdade dos fatos”. A manifestação é assinada por 12 agentes e representantes de jogadores, entre eles Carlos Leite, Giuseppe Dioguardi, Bruno Lopes Dias, Leandro Trotta e Márcio Bittencourt, nomes com atuação frequente no mercado do futebol brasileiro.
Conselho cobrou explicações
O manifesto dialoga diretamente com um dos pontos levantados pelo Conselho Fiscal. No parecer divulgado junto ao balanço de 2025, o órgão demonstrou preocupação com a governança nas negociações de atletas, afirmando que esses processos estariam concentrados em um grupo restrito de pessoas, com baixo nível de transparência e reporte às instâncias de governança. O Conselho informou ainda que solicitou detalhes sobre contratações realizadas em 2025 — incluindo valores de aquisição, comissões, luvas, remuneração e prazos contratuais —, mas afirmou não ter recebido todas as informações.
Além disso, o parecer registra que tomou conhecimento de denúncias públicas envolvendo supostas irregularidades na intermediação de atletas, como cobrança indevida de comissões, exigências de repasse de parte das luvas e possíveis pressões relacionadas à utilização de jogadores. A diretoria negou que essas práticas ocorressem internamente e informou a abertura de uma apuração, mas, segundo o Conselho Fiscal, os resultados da investigação ainda não haviam sido apresentados até a emissão do parecer.
O documento do Conselho Fiscal também faz um diagnóstico amplo da situação da SAF. Apesar do lucro contábil de R$ 81 milhões em 2025, o órgão ressalta que esse resultado decorre principalmente dos efeitos da recuperação judicial. Sem esse impacto extraordinário, o Vasco teria registrado prejuízo de aproximadamente R$ 232 milhões. O Conselho destaca que a SAF segue com patrimônio líquido negativo, alerta para incertezas quanto à continuidade operacional, cobra maior rigor na execução do plano de recuperação judicial, questiona investimentos de cerca de R$ 100 milhões em reforços no início de 2026 diante das restrições financeiras e aponta deficiências em controles internos, transparência e práticas de governança corporativa.
Neste contexto, o manifesto dos empresários busca reforçar a posição da atual gestão, sustentando que todas as negociações financeiras foram conduzidas pelos executivos oficialmente responsáveis pelo futebol, em contraposição aos questionamentos levantados pelo Conselho Fiscal sobre a governança e a transparência desses processos.
