Enquanto as tensões geopolíticas mantiveram a pressão sobre o petróleo e derivados ao longo de junho, o avanço da safra de cana-de-açúcar no Brasil ajudou a amenizar os preços do etanol, que recuaram 8,76% nos últimos dois meses. Com isso, o combustível se tornou uma opção economicamente mais vantajosa para abastecimento em 10 estados brasileiros.
Os dados fazem parte de um levantamento feito pela ValeCard entre os dias 1º e 26 de junho em mais de 25 mil postos credenciados em todo o país. O estudo mostrou ainda que, enquanto o etanol caiu 3,64% apenas em junho, gasolina e diesel S-10 permaneceram praticamente estáveis, com recuos de apenas 0,09% e 0,07%, respectivamente.
O comportamento distinto dos combustíveis revela uma mudança importante na formação dos preços no mercado doméstico. Se nos últimos anos as oscilações internacionais do petróleo exerciam influência predominante sobre todos os combustíveis, atualmente fatores internos, especialmente a expansão da oferta de biocombustíveis, passaram a desempenhar papel decisivo no preço final pago pelo consumidor.
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Na média nacional, o litro do etanol passou de R$ 4,619 em maio para R$ 4,451 em junho. No mesmo período, a gasolina variou de R$ 6,857 para R$ 6,851, enquanto o diesel S-10 recuou marginalmente, de R$ 7,303 para R$ 7,298.
“O avanço da safra de cana continuou ampliando a oferta de etanol no mercado, favorecendo novas reduções de preços em praticamente todas as regiões produtoras. Ao mesmo tempo, gasolina e diesel permaneceram relativamente estáveis, apesar da forte volatilidade observada no mercado internacional de petróleo”, afirma o diretor de Mobilidade e Operações da ValeCard, Marcelo Braga.
Evolução por região
O movimento de baixa mais expressivo ocorreu justamente nas regiões produtoras de cana-de-açúcar. O Centro-Oeste voltou a liderar as quedas nacionais, com destaque para Mato Grosso, onde o preço médio do etanol caiu 7,78%, atingindo R$ 4,135 por litro, a maior retração do país. Goiás registrou queda de 5,14%, Distrito Federal 4,64% e Mato Grosso do Sul 4,61%.
No Sudeste, principal mercado consumidor, São Paulo voltou a apresentar um dos menores preços do Brasil, com queda de 4,25%, para R$ 4,051 por litro. Minas Gerais recuou 3,54%, enquanto Espírito Santo caiu 3,29% e Rio de Janeiro recuou 1,25%
Na região Sul, os três estados voltaram a registrar redução no preço do etanol durante junho, sendo que Santa Catarina apresentou a maior queda regional, passando de R$ 4,914 para R$ 4,735, redução de R$ 0,179, ou 3,64%.
No Nordeste, em junho as maiores reduções ocorreram em Pernambuco, passando de R$ 5,511 para R$ 5,380, queda de 2,38%. Já na região Norte o movimento de queda foi maior no Amazonas, passando de R$ 5,220 para R$ 4,962, redução de R$ 0,258 (-4,94%).
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Com essa nova rodada de quedas, o etanol passou a ser financeiramente mais vantajoso em 10 unidades da Federação: Amapá, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Roraima e São Paulo. No caso paulista, o preço do etanol correspondeu a apenas 61% do valor da gasolina, muito abaixo do limite de 70% considerado economicamente favorável para o consumidor.
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Gasolina é desafio
A estabilidade da gasolina, no entanto, chamou atenção dos analistas. Mesmo após reajustes anunciados pela Petrobras no final de maio, o combustível apresentou recuo médio nacional de 0,09%.
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O comportamento foi diferente entre os estados. Maranhão registrou a maior alta do país, de 2,44%, seguido pelo Distrito Federal (+2,39%) e Roraima (+2,42%). Em contrapartida, Santa Catarina apresentou a maior queda nacional, de 1,23%.
Segundo analistas, o resultado mostra que os reajustes nas refinarias não são automaticamente repassados ao consumidor final, uma vez que fatores como concorrência regional, política de estoques e competitividade do etanol ajudam a amortecer os impactos.
“O preço pago pelo consumidor não responde automaticamente aos reajustes anunciados nas refinarias. A formação do preço final depende de diversos fatores ao longo da cadeia”, explica Braga.
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Diesel resiste
O diesel S-10 também apresentou estabilidade na média nacional, apesar das oscilações registradas no mercado internacional de petróleo durante junho. O Sul voltou a concentrar as maiores quedas, com destaque para o Rio Grande do Sul (-2,74%), que manteve o menor preço médio do país, seguido por Santa Catarina (-2,68%) e Paraná (-2,11%).
Na direção oposta, o Norte continuou registrando forte pressão nos preços. Roraima liderou a alta nacional, com avanço de 6,95%, enquanto Acre (+5,94%) e Amapá (+3,29%) também apresentaram aumentos expressivos.
Conforme o levantamento, a estabilidade observada em junho sugere que, apesar da sensibilidade dos combustíveis às oscilações do petróleo e do câmbio, fatores domésticos passaram a exercer influência crescente sobre o comportamento dos preços no Brasil. No caso do etanol, o avanço da safra de cana tornou-se um importante elemento de equilíbrio para o mercado de combustíveis, ajudando a conter pressões inflacionárias justamente em um período de maior instabilidade no cenário internacional.
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