Desde o final de março, quando estreou em Porto Alegre, Marina Lima roda o Brasil com o show “Marina 70”, em que celebra os 70 anos de vida — completados em setembro do ano passado — com hits atemporais da carreira e algumas novidades do recém-lançado “Ópera grunkie”. A menos de dois meses de completar 71, Marina reflete sobre os ganhos da maturidade.
— A idade te traz um distanciamento muito grande das coisas. Você revê a sua trajetória, onde tropeçou e por quê. O que poderia ter feito diferente se fosse hoje em dia? Quase tudo. Com a maturidade, você faria tudo diferente — afirma, ao GLOBO. — Mas, com a idade, você tem um pouco mais de empatia por você mais jovem. E também mais exigência com o que vem e como você vai se colocar diante da sabedoria que o tempo te trouxe. Tem que ter responsabilidade com isso.
No final da tarde deste domingo, em show marcado para às 17h, Marina se apresenta no Enel Festival de Inverno Rio, na Marina da Glória, cercada pelo mar que tanto ama.
— Alguns amigos me falam: “Marina, não tem mar só no Rio, você não precisa ir para lá para ver o mar”. Mas o mar que me permeia e que eu quero entrar é o do Rio (risos) — diz a carioca radicada em São Paulo, antes de aprofundar sobre a relação artística com a cidade. — Minha vida toda se passava no Rio (no começo da carreira), então, grandes sucessos atemporais da minha obra foram feitos lá, com o meu espírito carioca: “Fullgás”, “Pra começar”, “Acontecimentos”… o Rio me inspira até hoje.
Ter as músicas sempre presentes na vida do país e atravessando gerações, afirma Marina, sempre foi um desejo dela e do irmão, o poeta e filósofo Antonio Cicero (1945-2024), seu grande parceiro musical. Para ela, subir ao palco nunca foi tão bom:
— É muito emocionante para mim ter plateias no Brasil inteiro cantando junto comigo. Ser trilha sonora da vida das pessoas é uma relação muito íntima. (Quando estou no palco) passa um filme na minha cabeça, porque antigamente eu gostava mais de estúdio. Gosto de fazer arranjo, de compor com calma… sou muito detalhista. Então o show era legal, mas uma espécie de repetição do que eu havia atingido nas gravações. Agora não. Hoje, o elemento público é um elo com a minha existência.
