Andy Moreira levou um susto quando chegou no ginásio para mais um jogo do Miami Marlins. O time é um dos menos populares da Major League Baseball (MLB). A arquibancada costuma ser frequentada apenas pelos moradores da região. Mas, nesta sexta, ele se deparou com centenas de ingleses, todos fardados com a camisa da seleção de futebol. Na expectativa do jogo contra a Noruega, pelas quartas de final da Copa, na mesma cidade, reforçaram a torcida pelo clube local, que enfrentava o Cleveland Guardians.
– Até que foi divertido – disse o nicaraguense de 28 anos, que vive em Miami desde pequeno.
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Os ingleses também deixaram o estádio com semblantes de quem se divertiu. Mas é difícil saber até que ponto o motivo foi a partida de beisebol. A impressão é que fizeram uma festa dentro do ginásio. E, por coincidência, tinha um jogo ocorrendo ao lado deles.
A falta de conhecimento das regras prejudica o interesse. Para a grande maioria dos ingleses que estavam ali, aquele fora o primeiro contato com o esporte.
– É só acertar a bola com o taco, não? – retrucou um britânico ao ser perguntado pela reportagem se conhecia o funcionamento do beisebol.
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Já Joe Thomas identificou na dinâmica dentro de campo semelhanças com o rounders, praticado por crianças e adolescentes no Reino Unido. De fato, este é considerado uma das origens do beisebol moderno, tendo sido levado para os Estados Unidos por imigrantes ingleses e irlandeses no século XVIII.
O inglês, que está acompanhando o English Team na Copa com os amigos desde o primeiro jogo, é uma exceção. A grande maioria olhou para o campo e, sem entender o que se passava, parou de prestar atenção.
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O choque cultural começou cedo. Ao chegarem, os ingleses penduraram faixas e bandeiras nas grades, prática corriqueira em estádios de futebol. Só que ali não era um, e os agentes de segurança solicitaram que retirassem. A prática não é permitida.
– Amanhã vocês vão poder fazer isso à vontade – orientou o segurança.
Havia alguns noruegueses no ginásio. Mas a grande maioria dos torcedores estrangeiros eram ingleses. O Marlins tentou repetir a estratégia feita durante a passagem da Escócia por Miami, para enfrentar o Brasil, ainda pela fase de grupos. Na ocasião, convidaram o Tartan Army, como é conhecida a torcida, que promoveu uma marcha até o ginásio e ocupou 8 mil ingressos, com direito a apresentação especial de gaita de fole no campo.
Desta vez, os ingleses não foram tão numerosos (encheram apenas um setor). E tampouco procuraram incentivar a equipe local como os escoceses fizeram. Os Marlins saíram de campo derrotados (3 a 2). Mas, até aí, também seria injusto por este tropeço na conta dos visitantes.
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Para a alegria do clube, os ingleses não economizaram no consumo de cerveja. A maioria deles nem quis ficar sentada. Preferiram permanecer de pé, nas mais de 2 horas de partida, em torno de um dos bares fazendo aquilo que sabem tanto quanto beber: cantar músicas de arquibancada.
Aparentemente eles são capazes de fazer qualquer frase ou termo ser inserido dentro de seu repertório de melodias. O nome do técnico Thomas Tuchel foi adaptado em um grito que já está na boca da torcida. E dividiu as cordas vocais dos presentes com a clássica “Please don’t take me home” e a controversa “Ten german bombers”. Não pararam nem quando todo o restante do ginásio se levantou e ficou em silencio para uma interpretação do hino americano feita por uma cantora local.
Conversar ou olhar para o celular também fazia sucesso entre eles enquanto Marlins e Guardians disputavam a partida. Aparecer no telão do ginásio também os divertia.
Somente o primeiro home run (a jogada mais famosa do beisebol) do time da casa é que fez os ingleses se conectarem com a partida. Como todo o restante do público gritou como um gol e um equipamento ao lado “cuspiu” fogo, os visitantes se animaram e comemoram juntos.
– O beisebol é considerado o esporte mais tradicional das principais ligas americanas. Ele possui uma dinâmica mais lenta. Não acontecem tantas coisas em campo. Então imaginei que pudessem achar chato – comentou Andy Moreira.
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Por ser entendedor do esporte, o nicaraguense acabou virando o tira-dúvidas dos presentes. “Qual dos dois times é o Miami?”, “O que determina o fim do jogo?” e “Foi gol?” foram algumas das perguntas direcionadas a ele.
Os ingleses demoraram a entender quando o jogo acabou. Só perceberam ao verem que parte do público local já havia saído. Deixaram o ginásio leves e sem tensão. Como provavelmente não estarão neste sábado.
