A aparência de Ariana Grande voltou a ocupar o centro das conversas nas redes sociais nas últimas semanas. Aos 33 anos, a cantora passou a receber uma série de comentários sobre seu corpo, com internautas questionando uma suposta perda excessiva de peso. Diante da repercussão, um representante da artista afirmou que ela fará uma pausa na carreira para cuidar da saúde. O episódio reacendeu uma discussão que vai além da imagem de uma celebridade: o retorno de um padrão estético marcado pela valorização de corpos cada vez mais magros.
Conhecida como uma nova onda da magreza extrema, essa referência corporal tem chamado atenção de especialistas por resgatar uma estética em que estruturas antes escondidas, como ossos mais aparentes, clavículas evidentes e braços muito finos, passam a ser associadas a beleza e desejo. O movimento contrasta com um período recente em que procedimentos e tendências valorizavam mais volume, como lábios preenchidos, rostos mais projetados, glúteos avantajados e próteses mamárias evidentes.
“Historicamente a indústria da moda impõe um padrão de corpo magro para os modelos que carregam suas coleções, muito abaixo do que é admissível como normalidade. Logicamente uma minoria tem naturalmente esse biotipo, mas certamente a maior parte das modelos femininas, no mundo, só atinge essa forma às custas de estratégias que trazem muitos impactos negativos à saúde física e mental. O grande problema, do ponto de vista médico, é que essas modelos vão estampar suas imagens em todas as mídias, como ideal de beleza, sucesso e luxo. Um padrão inatingível para a maioria da população mundial, que pode ter consequências desastrosas, como o aumento na prevalência de distúrbios emocionais e transtornos alimentares”, explica a médica nutróloga Marcella Garcez.
Para a cirurgiã plástica Heloise Manfrim, a mudança revela uma transformação no imaginário estético. “Mais do que uma mudança estética pontual, trata-se de um reposicionamento cultural mais amplo, no qual o corpo passa a refletir uma nova lógica de desejo, com menos projeção e volume, em alinhamento com uma estética de restrição corporal, marcada por contornos ósseos visíveis, braços mais finos, clavículas evidentes e menor percentual de gordura corporal”, detalha.
