Macacos, bugios, saguis, ouriços-cacheiros e até saruês têm usado passarelas suspensas instaladas na altura das copas das árvores para atravessar ruas, avenidas e rodovias que cortam áreas de mata em São Paulo. A solução faz parte do Projeto Transbugio, da Enel São Paulo, criado para proteger a fauna silvestre e reduzir acidentes envolvendo animais e a rede elétrica.
As estruturas funcionam como verdadeiras pontes aéreas. Elas são instaladas em pontos estratégicos, definidos por técnicos e pesquisadores após o monitoramento das rotas naturais dos animais entre fragmentos de vegetação separados por vias, áreas urbanizadas ou pela própria rede elétrica. Também são priorizados locais onde já foram registrados acidentes frequentes com a fauna.
Com as passarelas, os animais conseguem cruzar esses trechos com mais segurança, diminuindo o risco de atropelamentos, eletrocussões, ataques de animais domésticos e quedas.
As primeiras estruturas foram instaladas na região do Zoológico de São Paulo. Desde então, o projeto foi ampliado para outras áreas da capital, como Parelheiros, Horto Florestal, Avenida Miguel Estefano, Estrada de Itaquaquecetuba e Avenida Jaceguava. Hoje, são 13 passarelas distribuídas em diferentes pontos da cidade.
O nome Transbugio faz referência ao bugio, um dos primatas mais característicos da Mata Atlântica e uma das espécies já registradas utilizando as travessias. Mas ele está longe de ser o único usuário. Câmeras de monitoramento já flagraram macacos-prego (Sapajus), saguis-de-tufo (Callithrix), caxinguelês (Guerlinguetus), cuícas-lanosas (Caluromys philander) e ouriços-cacheiros (Coendou spinosus) cruzando as passarelas.
