
Aos 67 anos, Madonna voltou a chamar atenção ao falar abertamente sobre uma condição física que tem impactado sua rotina: o desgaste no joelho. Em entrevista à “Interview Magazine”, a cantora revelou que já não possui cartilagem na região, consequência de décadas de performances intensas, uso frequente de salto alto e práticas esportivas.
Veja os detalhes: Neymar usará caneleira de mais de R$ 7 mil na Copa do Mundo
Saiba: Por que o pescoço de Cristiano Ronaldo chamou tanta atenção durante a Copa do Mundo
“Eu estou com o joelho ruim. Não tenho mais cartilagem nele, graças a tantos anos dançando de salto alto, correndo no asfalto e praticando Ashtanga yoga”, comentou a artista, que há anos equilibra a agenda de shows com uma rotina física exigente.
A declaração reacende um tema comum fora dos palcos: os impactos do uso prolongado de salto alto na saúde das articulações. Segundo especialistas, o calçado altera a distribuição do peso corporal e pode sobrecarregar especialmente os joelhos, sobretudo quando usado com frequência ou por longos períodos.
“Com o uso do salto, o joelho é colocado em uma posição desconfortável, que exige flexão contínua”, explica o ortopedista Marcos Cortelazo, especialista em joelho e traumatologia esportiva e membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).
O médico detalha que, durante a caminhada descalça ou com sapatos planos, o impacto do movimento é distribuído de forma mais equilibrada entre as articulações. Já o salto alto muda essa dinâmica e força adaptações constantes do corpo.
“Em uma caminhada normal, o corpo absorve o impacto da passada de maneira mais uniforme. Esse equilíbrio permite que as articulações dos tornozelos e dos joelhos não sejam prejudicadas. Já os saltos causam maior desequilíbrio e exigem mais flexão dos joelhos. Ao deixar a ponta dos pés no chão e o calcanhar elevado, esse tipo de calçado aumenta a sobrecarga sobre a articulação”, afirma.
De acordo com o especialista, o risco tende a ser maior em pessoas que já apresentam histórico de lesões ou que utilizam o salto de forma habitual, como em atividades profissionais ou apresentações. Entre as consequências mais comuns está o desgaste da cartilagem patelar, associado à condromalácia, condição que provoca dor e desconforto em movimentos simples do dia a dia.
“Entre os malefícios do uso constante de salto alto está o desgaste da cartilagem patelar, levando à condromalácia (condropatia), doença cujos sintomas incluem dores no joelho que pioram ao subir ou descer escadas. Ajoelhar, agachar ou sentar com as pernas cruzadas também pode causar dor”, acrescenta.
Por que o salto alto pode afetar o joelho, segundo alerta que surgiu após fala de Madonna
Getty Images
O ortopedista também chama atenção para casos em que o desgaste se estende a outras estruturas da articulação, podendo evoluir para quadros mais avançados, como a artrose. “Nesse caso, além da cartilagem patelar, as estruturas que envolvem o fêmur e a tíbia também são afetadas”, diz.
Em situações mais leves, o tratamento pode incluir medicamentos e fisioterapia. Já quadros mais severos podem demandar intervenções cirúrgicas. “Mas, se o quadro for grave, uma cirurgia pode ser necessária, como a artroscopia, para regularizar a superfície articular”, observa o Dr. Marcos.
Ele enfatiza que, quando há degeneração avançada, procedimentos mais complexos podem ser indicados, com impacto direto na recuperação do paciente. “E se ocorrer um desgaste avançado da articulação, pode ser necessária uma grande cirurgia para substituir ou realinhar a articulação, o que também significa um longo tempo de recuperação”, completa.
Por que o salto alto pode afetar o joelho, segundo alerta que surgiu após fala de Madonna
Getty Images
Para prevenir problemas, o especialista recomenda moderação no uso do salto alto e atenção a hábitos do dia a dia.
“A melhor solução para esse dilema é evitar o uso frequente de salto, utilizando-o apenas de maneira esporádica e preferindo sapatos não muito altos, com uma altura que não exceda a margem de 2,5cm a 5cm. Praticar exercícios regularmente e controlar o peso também são cuidados importantes para reduzir o risco de problemas no joelho. E, em caso de lesões ou cirurgias prévias no joelho, é importante seguir as orientações com seu médico especialista”, finaliza o Dr. Marcos.
