tudo o que você precisa saber sobre o musical ‘Wicked’, que estreia no Rio em julho

tudo o que você precisa saber sobre o musical ‘Wicked’, que estreia no Rio em julho

Depois de reunir mais de um milhão de espectadores em três temporadas em São Paulo, “Wicked” finalmente desembarca no Rio. A partir de 15 de julho, a Cidade das Artes, na Barra, recebe a superprodução, que combina cenários grandiosos, efeitos de ilusionismo, projeções, voos sobre a plateia e uma complexa operação de bastidores para dar vida ao universo de Oz.

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Inspirada no romance de Gregory Maguire, a peça é uma adaptação de musical da Broadway de 2003, que deu origem a filmes de sucesso estrelados por Ariana Grande e Cynthia Erivo e a uma verdadeira “Wickedmania”. O espetáculo segue até hoje em cartaz em Nova York e é uma das maiores bilheterias da história do teatro americano.

Na versão brasileira, Myra Ruiz (Elphaba) e Fabi Bang (Glinda) estão à frente do espetáculo, que já tem ingressos estão à venda pela plataforma Sympla. Os valores variam de R$ 50 (meia) a R$ 400.

Em entrevista ao GLOBO, Carlos Cavalcanti, presidente do Instituto Artium de Cultura, realizadora do musical, detalhou como funciona a montagem e revelou curiosidades que ajudam a dimensionar a escala da produção. Confira abaixo alguns dos principais bastidores do espetáculo.

Cena de 'Wicked', superprodução que chega ao Rio em julho — Foto: João Caldas
Cena de ‘Wicked’, superprodução que chega ao Rio em julho — Foto: João Caldas

1. Mais de 200 personagens ganham vida no palco

Embora conte com um elenco de apenas 35 atores, a montagem apresenta, ao longo das quase três horas de duração, mais de 200 personagens diferentes. Isso é possível graças a uma operação de bastidores que envolve rápidas trocas de roupas, sapatos, peruca e maquiagem entre uma cena e outra. Segundo Carlos Cavalcanti, alguns integrantes do elenco chegam a interpretar até oito personagens diferentes durante a mesma sessão. Ao todo, são mais de 130 perucas utilizadas em cada apresentação, além de uma grande quantidade de figurinos e acessórios preparados para mudanças que acontecem em poucos segundos.

— É uma operação logística bastante precisa e muito acelerada—, resume o produtor.

2. O espetáculo tem oito cenas com atores voando — uma delas a 12 metros de altura sobre a plateia

Para colocar bruxas, macacos alados e outras criaturas de Oz voando em cena, a montagem conta com uma moderna e complexa tecnologia. A montagem conta com oito cenas de voo diferentes, executadas com equipamentos da Fly by Foy, empresa de Las Vegas especializada em acrobacias aéreas e responsável por grandes produções globais. Todo o maquinário é personalizado com as medidas dos atores e monitorado remotamente dos EUA durante as sessões.

Para Cavalcanti, o momento mais esperado ocorre no momento em que a Elphaba se liberta do Mágico de Oz. Em cena, a bruxa avança cerca de 25 metros por cima do público, atingindo 12 metros de altura em relação ao chão. O treinamento para essas e outras sequências — como o voo em formato de “X” realizado pelas duas protagonistas — exige que os atores passem por uma preparação diária semanas antes da estreia, conduzida pela própria empresa americana.

3. Cenários, figurinos e coreografias foram desenvolvidos especialmente para o Brasil

Apesar de preservar o texto, as músicas e a história original apresentada na Broadway, a produção brasileira tem identidade própria. Isso significa que cenários, figurinos, iluminação, projeções, maquiagem, coreografia foram desenvolvidos com uma concepção inédita, assinada por uma equipe formada por profissionais brasileiros e criativos internacionais. Segundo Cavalcanti, cada área da produção contribuiu com uma visão própria para construir ambientes como a Universidade Shiz e a Cidade das Esmeraldas. Além disso, a montagem também incorpora elementos contemporâneos para dialogar com o público atual.

– É uma montagem feita vinte e poucos anos depois da montagem original da Broadway, que é de 2003. Ela tem muito mais toques de contemporaneidade, fala muito mais com a geração de jovens que estão hoje assistindo e que constituem grande fanbase de Wicked –, explica Cavalcanti.

'Wicked' ganha adapatação no Rio — Foto: João Caldas
‘Wicked’ ganha adapatação no Rio — Foto: João Caldas

4. Efeitos de ilusionismo transformam objetos e personagens ao vivo

A magia do roteiro ganha vida nos palcos com truques práticos de ilusionismo integrados à encenação. Objetos de cena reagem de forma autônoma, como uma vassoura que destranca uma porta e levita até as mãos da bruxa, ou a cadeira de rodas da personagem Nessarose, irmã de Elpahaba, que flutua a até quatro metros do chão. A tecnologia também é aplicada para resolver viradas cruciais da trama diante dos olhos do público. Um dos exemplos é a metamorfose ao vivo do personagem Boq no clássico Homem de Lata e a transformação imediata de calçados de brilhantes nos icônicos sapatos de rubi.

5. O palco simula um livro de magia de proporções gigantescas

A cenografia principal funciona como um elemento narrativo ativo. Segundo Cavalcanti, logo no início do espetáculo, uma enorme reprodução do Grimmerie, o livro de magia de Oz, ocupa a abertura do palco.

– Quando o espetáculo começa e a tela se levanta, é como se a plateia entrasse dentro do Grimmerie e o mundo encantado entra em contato com a plateia –, conta Cavalcanti.

Para guiar essa imersão, a direção utiliza projeções mapeadas e marcações a laser que reagem ao desenvolvimento de Elphaba. Conforme a personagem ganha domínio sobre seus poderes mágicos, os signos do livro projetados no palco tornam-se gradativamente mais nítidos e precisos.

6. A produção só pode ser montada em poucos teatros do país

A dimensão da cenografia, das estruturas de voo e dos equipamentos faz com que “Wicked” possa ser apresentado em poucos teatros brasileiros. Segundo Carlos Cavalcanti, a Cidade das Artes é o único teatro do Rio com estrutura de palco capaz de receber integralmente a montagem, para acomodar cenários, iluminação, equipamentos de voo e todas as movimentações técnicas previstas no espetáculo.

"Wicked” estreia em julho no complexo, que deverá passar a investir mais também em projetos capazes de inserir a Cidade das Artes na rotina dos cariocas — Foto: Divulgação
“Wicked” estreia em julho no complexo, que deverá passar a investir mais também em projetos capazes de inserir a Cidade das Artes na rotina dos cariocas — Foto: Divulgação

7. A tecnologia está presente do início ao fim da apresentação

Além dos sistemas de voo, a montagem reúne diferentes recursos tecnológicos para dar vida ao universo de Oz. Os mecanismos são utilizados em cenas de levitação, movimentação de objetos, projeções e transformações em palco, criando efeitos que acompanham a jornada das personagens. Para Cavalcanti, o conjunto desses elementos é o que permite transformar a narrativa em uma experiência imersiva para o público, sem abrir mão da precisão técnica exigida por uma produção desse porte.

8. O musical já foi visto por mais de um milhão de pessoas no Brasil

A temporada carioca marca a chegada de uma produção que já passou por três temporadas em São Paulo, em 2016, 2023 e 2025. Segundo a produção, as duas primeiras temporadas reuniram cerca de meio milhão de espectadores, enquanto a mais recente permaneceu dez meses em cartaz e também alcançou público de aproximadamente 500 mil pessoas. Com isso, “Wicked” já ultrapassou a marca de um milhão de espectadores no Brasil, antes mesmo de estrear no Rio.

‘Wicked’ no Rio de Janeiro

  • Onde: Cidade das Artes Bibi Ferreira, Barra da Tijuca.
  • Quando: De 15 de junho a 6 de setembro.
  • Que horas: Qua, qui e sex, às 20h. Sáb, às 15h e 19h. Dom, às 14h e 18h30.
  • Quanto: De R$50 a R$400.

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