A tecnicidade das perguntas aumentou no segundo dia das audiências promovidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) para discutir a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros, especialmente os da indústria. Quem estava na sala nesta terça-feira, conta que o questionamento mais recorrente da bancada americana dizia respeito ao impacto da tarifação para o mercado doméstico dos EUA e à possibilidade de substituir os produtos brasileiros por similares fabricados no próprio país. Um dos pontos que trouxe algum otimismo aos representantes brasileiros foi o fato de que, em muitos casos, a principal alternativa aos produtos e máquinas nacionais seria a importação da China.
Como a disputa comercial entre Estados Unidos e China foi justamente o estopim da atual guerra tarifária, esse cenário alimenta a expectativa de que, se a tarifa de 25% ameaçada pelo governo Donald Trump não puder ser revertida, ao menos a lista de produtos excluídos da medida possa ser ampliada.
A negociação por setor foi a principal proposta apresentada pelo embaixador Roberto Azevêdo, que representou a Confederação Nacional da Indústria (CNI), nos contou uma fonte presente na audiência. Para ele, o caminho mais eficaz seria sentar à mesa para discutir os entraves específicos de cada segmento, em vez de manter um tarifaço que já demonstrou ser prejudicial tanto para a economia americana quanto para a brasileira.
Patrícia Gomes, diretora executiva de Mercado Externo e Comércio Exterior da Abimaq, afirmou que, no setor de máquinas e equipamentos, há uma relação de complementaridade com a cadeia produtiva americana, tanto a voltada ao mercado interno quanto à exportação a partir dos Estados Unidos. Ela ressaltou ainda que muitas multinacionais instaladas no Brasil integram estratégias globais de produção e abastecimento. Segundo a executiva, se a decisão final refletisse o nível técnico das discussões realizadas nas audiências, haveria motivos para tranquilidade.
— No entanto, é uma incógnita qual será o resultado das audiências. Todo esse material será levado à mesa do presidente, e não sabemos se os aspectos técnicos irão prevalecer — afirma.
