O ex-comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, coronel José Augusto Coutinho, voltou a ser citado em uma investigação que envolve o Primeiro Comando da Capital (PCC). Desta vez, o nome do oficial aparece na decisão que embasou a Operação Janus, realizada nesta terça-feira pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra uma suposta rede de operadores financeiros responsável por movimentar recursos da facção.
Segundo o documento obtido pelo GLOBO, investigadores apontam que integrantes do grupo mantinham relação próxima com policiais civis e militares e fazem referência ao então comandante da Rota, além dos coronéis Pereira Martins e “Patrício”. A decisão, no entanto, não atribui ao ex-comandante participação direta nos crimes investigados nem o inclui entre os alvos da operação.
A menção ocorre em meio a apuração sensível: um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar que investiga policiais suspeitos de prestar segurança privada à Transwolff, empresa de ônibus apontada pelo Ministério Público como instrumento de lavagem de dinheiro do PCC.
Como revelou O GLOBO, um dos investigados nesse caso, o sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário, afirmou em depoimento que Coutinho, à época comandante da Rota, tentou convencê-lo a permanecer na unidade mesmo após tomar conhecimento de que havia policiais realizando “bico” para a empresa. Em um dos trechos do depoimento prestado à Corregedoria, Romano afirma que Coutinho teria reconhecido a existência de irregularidades.
“Meu irmão faz bico até hoje. Meu pai sustentou a gente fazendo bico. A gente sabe que as coisas estão difíceis. Porém, pelo que está aqui, tem bandido fazendo bico lá”, teria dito Coutinho, segundo o policial.
