O ex-ministro Fernando Haddad, pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT, afirmou, nesta quinta-feira (25), que não está preocupado com sua ida ou não ao segundo turno em outubro. Ao lançar o ex-governador Márcio França (PSB) como seu vice, o petista tirou do jogo, segundo as palavras do próprio França nas últimas semanas, um candidato que seria capaz de tirar votos do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), além de poder questioná-lo em debates.
— Na verdade, nós não trabalhamos o tema (de não passar ao segundo turno). Foi mencionado isso, evidentemente, mas não foi um tema trabalhado — declarou o ex-ministro da Fazenda. — Estamos preocupados com que o debate aconteça, que os temas que são caros a nós sejam pautados, que a gente possa apresentar as nossas objeções ao que está acontecendo na administração pública do estado. E, obviamente, o eleitor é soberano, sempre, para decidir o destino na hora de votar. O que a gente quer é poder apresentar uma alternativa que, na nossa visão, é muito superior.
Haddad concedeu entrevista coletiva no bairro do Pacaembu, Zona Oeste da capital paulista, após uma reunião com o presidente Lula, na noite de quarta, em Brasília, da qual participaram os demais integrantes da chapa e os presidentes nacionais de PT e PSB. Desde o anúncio da escolha de Haddad como pré-candidato, em fevereiro, França perdeu espaço na composição da chapa, sobretudo após as escolhas de Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) como postulantes ao Senado.
Em março, por exemplo, França afirmou em uma entrevista que a candidatura “não seria contra o Haddad” e destacou que a ausência de mais candidatos pode inviabilizar debates antes do primeiro turno. Isso porque, segundo ele, emissoras avisaram que só aconteceria mediante a presença de três pessoas com mais de 5% das intenções de voto nas pesquisas, o que não se desenha atualmente.
Após o fim do impasse, mais de três meses depois, Haddad afirmou que França vai ajudá-lo a percorrer o estado. O ex-ministro tem feito agendas no interior, mas voltadas para o meio estudantil e sem a presença de prefeitos. Como ex-governador, o aliado pode abrir portas nos municípios.
— Ele tem uma relação com os prefeitos que é muito diferente do que está acontecendo hoje. Entende a liberdade do prefeito, autonomia do prefeito, mas procura se aproximar dos prefeitos para estabelecer parcerias. À maneira do que o presidente Lula faz no plano federal. Ele busca interação para buscar o melhor resultado para cada município. Então tem uma larga experiência. Além disso, ele teve uma boa relação com duas categorias que vão ser muito parceiras de um futuro governo nosso, que é a dos policiais — disse Haddad.
Na entrevista, Haddad foi questionado sobre as críticas feitas, em 2022, por Tarcísio não ser de São Paulo. Quatro anos depois, a chapa da esquerda ao Senado terá duas candidatas nascidas em outro estado: Marina Silva (Acre) e Simone Tebet (Mato Grosso). Haddad foi perguntado se o discurso anterior não soaria incoerente agora.
— Não, eu não critiquei ele por não ser do Rio de Janeiro, por não ser de São Paulo. Eu critiquei porque ele foi trazido para cá pela mão de uma terceira pessoa. Não foi uma vinda de espontânea vontade para cá. Ele queria ser senador do Goiás. Pode consultar os arquivos do jornal. E aí ele resolve, artificialmente, vir para cá sem nenhum conhecimento. Sem nenhuma raiz aqui. Não é o caso da Marina — afirmou Haddad.
