A decisão do PL de manter apoio à candidatura de Márcio Canella (União Brasil) ao Senado no Rio de Janeiro não encerrou o desconforto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o aliado. Após aceitar a permanência do ex-prefeito de Belford Roxo na chapa para preservar a aliança com a federação União Brasil-PP, o senador vetou a permanência da sua mãe, Rogéria Bolsonaro, como suplente de Canella. Flávio também deve evitar aparições públicas ao lado do candidato durante a campanha.
A mudança ocorre poucos dias depois de o PL ceder à pressão do União Brasil e concordar em manter Canella como candidato ao Senado, mesmo após sua prisão durante uma operação da Polícia Federal, como antecipou a colunista Bela Megale. O ex-prefeito foi preso em flagrante depois que agentes encontraram um fuzil em um veículo ligado a ele. Posteriormente, foi colocado em liberdade por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo interlocutores, a ideia com o veto a Rogperia é preservar o sobrenome Bolsonaro, que poderia ficar vinculado a uma candidatura fragilizada. A conclusão foi a de que o partido poderia manter o acordo político com a federação, mas o presidenciável precisava reduzir sua associação ao aliado.
A principal consequência foi a retirada de Rogéria da suplência. Anunciada no início de julho como primeira suplente de Canella, ela será candidata a deputada federal. A justificativa formal que circula na direção do PL é que a ex-vereadora poderá ajudar a fortalecer a nominata do partido para a Câmara. A expectativa da legenda é que Rogéria ultrapasse a marca de 100 mil votos e se torne uma das principais puxadoras de votos do PL no estado.
Nesta quarta-feira, Flávio confirmou a mudança nas redes sociais.
“É com o coração cheio de orgulho e alegria que compartilho com vocês: minha mãe, Rogéria Bolsonaro, é candidata a deputada federal pelo Rio de Janeiro. Conheço de perto sua força, sua fé e seu amor pelo Brasil. Ela vai representar as famílias brasileiras com a mesma garra e dedicação com que cuida da nossa. Te amo, mãe. Você será uma excelente parlamentar. Com a sua força, vamos transformar o Brasil e a Câmara dos Deputados”, escreveu na rede X.
O distanciamento, porém, não ficará restrito à mudança na chapa. Segundo interlocutores da campanha, Flávio também não deverá participar de agendas eleitorais ao lado de Canella nem dividir palanque com o candidato durante a disputa. A condução da campanha conjunta ficará concentrada no candidato do PL ao governo do estado, Douglas Ruas, que seguirá fazendo eventos com o ex-prefeito.
Apesar do desconforto da campanha presidencial, dirigentes do PL fluminense sustentam que manter Canella continua sendo a alternativa eleitoralmente mais vantajosa. A avaliação é que a aliança com a federação União Brasil-PP garante ao partido ativos considerados decisivos na disputa estadual: o tempo de propaganda eleitoral e a força política construída por Canella na Baixada Fluminense e na Região Metropolitana do Rio.
Segundo integrantes da legenda, “a balança pesa muito a favor de Canella”, mesmo após o desgaste provocado pela operação da Polícia Federal. A leitura é que o tempo de televisão assegurado pela federação e o capital eleitoral do ex-prefeito na região metropolitana compensam a perda de competitividade de sua candidatura.
Foi justamente essa avaliação que levou o PL a rever a posição adotada logo após a prisão de Canella. Inicialmente, dirigentes defendiam que o União Brasil apresentasse um novo nome para o Senado. A direção estadual, porém, cedeu para preservar o acordo e evitar um rompimento com a federação no Rio, considerada estratégica para a candidatura de Douglas Ruas ao governo.
