A Bélgica precisou de apenas três Copas para repetir uma virada que nenhuma outra seleção havia conseguido nos 48 anos anteriores. Depois de buscar o 3 a 2 sobre o Japão em 2018, a equipe belga voltou a sair de uma desvantagem de dois gols e vencer um mata-mata de Mundial nesta quarta-feira. Senegal abriu 2 a 0, mas sofreu o empate no fim do tempo regulamentar e foi derrotado por 3 a 2 na prorrogação.
Habib Diarra colocou Senegal à frente ainda no primeiro tempo, e Ismaïla Sarr ampliou no início da etapa final. O placar permaneceu intacto até os minutos finais, quando Romelu Lukaku descontou e Youri Tielemans empatou. Já nos acréscimos da prorrogação, após revisão do VAR, Tielemans converteu o pênalti e completou aquela que é a reação mais tardia da história das Copas.
O roteiro fez a Bélgica reencontrar uma página escrita pela própria seleção nas oitavas de final de 2018. Naquela ocasião, o Japão também abriu 2 a 0, mas Jan Vertonghen e Marouane Fellaini empataram antes de Nacer Chadli marcar o gol da classificação aos 49 minutos do segundo tempo. Até então, uma virada desse tamanho não ocorria no mata-mata desde 1970, quando a Alemanha Ocidental saiu de 2 a 0 para derrotar a Inglaterra por 3 a 2 nas quartas de final.
Assim, considerando as últimas 14 edições do Mundial, a Bélgica não é apenas a única seleção capaz de reverter uma diferença de dois gols em um jogo eliminatório: fez isso duas vezes. Os dois episódios tiveram ainda o mesmo placar, 3 a 2, embora por caminhos diferentes. Contra o Japão, a virada foi concluída no último contra-ataque do tempo regulamentar; diante de Senegal, a reação começou somente na reta final e precisou da prorrogação para ser completada.
Em toda a história da Copa, houve nove jogos eliminatórios nos quais uma seleção ficou ao menos dois gols atrás e terminou vencedora — contando também a disputa do terceiro lugar de 1938. Áustria, em 1954, e Portugal, em 1966, protagonizaram as recuperações mais extremas: ambas chegaram a perder por três gols antes de virar. A Bélgica, porém, tornou-se a primeira seleção a aparecer duas vezes nessa pequena lista.
As viradas após desvantagem de dois ou mais gols em mata-matas da Copa
