Na última segunda-feira, 22, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) promoveu, em sua sede, o evento “BNDES 74 Anos: Um Novo Banco de Desenvolvimento para a Construção de um Novo Mundo”. Na ocasião, o presidente da instituição, Aloizio Mercadante, apresentou um balanço da atual gestão e fez importantes anúncios, com destaque para a destinação de R$ 140 bilhões até dezembro de 2026 para a Nova Indústria Brasil (NIB). Desse total, R$ 102,5 bilhões são do BNDES e R$ 37,5 bilhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Com o anúncio, a NIB alcançará mais de R$ 750 bilhões em recursos disponíveis para investimentos entre 2023 e 2026.
“A ampliação dos recursos para financiar setores estratégicos da indústria nacional reforça nosso compromisso com uma nova etapa de desenvolvimento do país. São investimentos que fortalecem a soberania produtiva em áreas decisivas para o futuro, como fertilizantes, inteligência artificial, biofármacos e minerais críticos, gerando inovação, empregos qualificados e maior competitividade para a economia”, destacou Mercadante.
Com o objetivo de coordenar o apoio para segmentos estratégicos da indústria nacional, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) desenvolveu o portal Investe Indústria Brasil. O site funcionará como um mapa para a política pública, identificando intenções de investimento e gargalos de cada setor.
“Ao disponibilizar mais recursos para a inovação, a Finep cumpre o seu papel de indutora da ciência, da tecnologia e da competitividade no país. Esses recursos fomentam a indústria verde, a transição digital e demais áreas estratégicas para o Brasil, ao mesmo tempo em que contribuem para a redução das desigualdades regionais, viabilizando iniciativas em todo o país”, disse o presidente da Finep, Luiz Antonio Elias.
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A ampliação dos recursos para financiar setores estratégicos da indústria nacional reforça nosso compromisso com uma nova etapa de desenvolvimento do país”
— Aloizio Mercadante, presidente do BNDES
INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE
Durante o evento, a ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, anunciou que BNDES e Finep farão aporte de R$ 400 milhões (R$ 200 milhões de cada instituição) na Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). Esses recursos serão destinados ao apoio a projetos estruturantes, de acordo com modelo que envolve a cooperação entre empresas e instituições científicas e tecnológicas (ICTs) credenciadas como unidades Embrapii.
Em mobilidade urbana e sustentabilidade, foi aprovado o financiamento de R$ 340 milhões para a Tembici adquirir até 85 mil bicicletas elétricas (e-bikes) que serão alugadas a entregadores de plataformas digitais com custo 25% menor do que o atual. Com recursos do Fundo Clima, o projeto inovador de micromobilidade urbana combina relevante impacto social e climático. Atualmente, cinco mil e-bikes estão disponíveis para locação.
No campo climático, o BNDES anunciou o resultado do primeiro leilão do ProFloresta+, realizado com a Petrobras. A iniciativa conjunta é voltada à compra de créditos de carbono de alta integridade gerados pela restauração ecológica de áreas degradadas da Amazônia. Foram selecionadas as empresas Systemica, brCarbon e re.green para fornecer, ao todo, cinco milhões de créditos de carbono.
“O ProFloresta+ contribuirá para que a Petrobras atenda a seus compromissos climáticos de net zero, ao mesmo tempo em que viabiliza o desenvolvimento do setor de restauração florestal do país, que passa a ter a garantia de retorno para seus investimentos com a demanda firme de compra de créditos pela Petrobras”, afirmou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
O ProFloresta+, fruto da parceria entre BNDES e Petrobras, foi criado para incentivar a restauração florestal na Amazônia remunerada pela venda de créditos de carbono. O programa combina contratos de longo prazo, compra garantida pela Petrobras e condições diferenciadas de financiamento do BNDES, como o Fundo Clima — Florestas Nativas, buscando dar escala ao mercado de restauração ecológica e ampliar a confiança no mercado voluntário de carbono no Brasil.
“É uma nova etapa para a restauração ecológica no Brasil. Estamos falando de projetos com espécies nativas, com biodiversidade, com geração de empregos verdes e com impacto direto na reconstrução da floresta amazônica. O BNDES entra com instrumentos financeiros capazes de dar escala a esse mercado, e a Petrobras atua como compradora de créditos de alta integridade”, declarou a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello.
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Além dos anúncios, Mercadante destacou a recuperação da escala, da solidez e da capacidade de indução econômica do BNDES, com a destinação de R$ 862 bilhões em crédito à economia brasileira nos últimos três anos e meio. O presidente do banco de fomento também informou que os ativos da instituição atingiram a marca de R$ 1,015 trilhão em 31 de maio deste ano.
Mercadante acrescentou que o BNDES registrou lucro recorrente recorde e a menor inadimplência do sistema financeiro. Para ele, os resultados demonstram que a instituição voltou a exercer um papel relevante no financiamento ao desenvolvimento, sem abrir mão da segurança das operações. Somente em 2025, o banco colocou R$ 366 bilhões em crédito na economia, volume equivalente a mais de R$ 1 bilhão por dia.
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