Cidades do Pará, do Amazonas, de Roraima e Amapá sentiram os tremores causados pelos dois terremotos, de magnitude 7,2 e 7,5, ocorridos na Venezuela na noite desta quarta-feira (24). Os fenômenos deixaram pelo menos 164 pessoas mortas e 971 feridas. Especialista pontua que os tremores não apresentam riscos para as estruturas do Brasil.
O sismólogo do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) Bruno Collaço explica que, quando as ondas sismográficas — vibrações geradas pelos terremotos — chegam até aqui, elas já perderam força.
— Quando jogamos uma pedra em um lago, as ondas na água se espalham circularmente, em todas as direções. Com o terremoto, é parecido: isso acontece com as ondas sismográficas, ondas físicas que se espalham em todas as direções e atravessam o planeta todo. As pessoas têm a chance de sentir a passagem dessas ondas quanto mais perto estiverem do epicentro. Por isso algumas cidades da região norte, que estão mais perto da Venezuela, sentiram os tremores de ontem — esclarece o especialista.
Além da localização mais próxima do epicentro, Collaço pontua que o solo se movimenta com uma determinada velocidade, enquanto os prédios mais altos vibram com outra. Então, quem estava nos andares mais elevados perceberam os tremores dos terremotos com maior intensidade. Apesar dos impactos sentidos em bairros de Belém, Manaus, Boa Vista e Macapá, as estruturas do país não foram impactadas.
— Esses tremores distantes não apresentam risco para construções que estão nas normas de engenharia. Alguns estados podem continuar monitorando por alguns dias, mas as cidades brasileiras não precisam se preocupar, isso não representa um problema para as estruturas no país — reitera o sismólogo.
Em casos de terremotos, a recomendação é procurar um local seguro. Como eventos assim não são recorrentes no país, Collaço afirma que não há motivos para preocupações.
— As recomendações são mais preocupantes para as regiões que sofrem esses tremores de maneira mais recorrente, mas a orientação é, nesses casos, que as pessoas deixem os edifícios, as casas, as construções e procurem lugares seguro — pontua o sismólogo.
Como foram os terremotos na Venezuela
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) informou que os tremores ocorridos na noite desta quarta-feira (24) tiveram epicentros separados por apenas 5 quilômetros e foram os mais fortes a atingir o país em mais de cem anos.
O primeiro terremoto, de magnitude 7,2, ocorreu às 19h (horário de Brasília), cerca de 280 quilômetros a oeste de Caracas; 39 segundos depois, um tremor mais intenso, de magnitude 7,5, atingiu região próxima ao município de Yumare.
Segundo o USGS, os tremores foram provocados pelo deslocamento entre as placas tectônicas do Caribe e da América do Sul. Por terem ocorrido quase ao mesmo tempo e muito próximos um do outro, o Serviço Geológico classifica o episódio como uma “sequência dupla”. A região tem histórico de grandes terremotos, como o de Caracas, em 1967, que deixou cerca de 240 mortos.
O governo do Brasil manifestou pesar pelas perdas causadas em decorrência dos terremotos e expressou solidariedade ao governo e ao povo da Venezuela. O plantão do Itamaraty se colocou à disposição para prestar assistência aos cidadãos brasileiros em situação de emergência, que podem entrar em contato por meio do telefone +58 414-3723337, ou pelo telefone do consular em Brasília: +55 (61) 98260-0610.
*Estagiária sob supervisão de Cibelle Brito
