
A escritora portuguesa Lídia Jorge foi anunciada nesta quinta-feira (2) como a vencedora do Prêmio Camões de Literatura 2026. O resultado foi divulgado após reunião virtual do júri. A autora receberá 100 mil euros, valor concedido por meio de subsídio da Fundação Biblioteca Nacional do Brasil e do Governo de Portugal, além de um diploma assinado pelos chefes presidente dos dois países.
Nascida em Boliqueime, no Algarve, em 1946, Lídia Jorge é uma das principais vozes da literatura portuguesa contemporânea. Sua obra é marcada pela reflexão sobre a história recente de seu país, em especial o período da guerra colonial, e aborda temas como a memória, a condição feminina e as desigualdades sociais.
A ata elaborada pelo júri destaca conjunto da obra da autora, desde seu romance de estreia, “O dia dos prodígios” (1979), e ressaltou o impacto de livros como “A costa dos Murmúrios” (1988), inspirado em sua experiência em Moçambique e trata da guerra de libertação da ex-colônia da perspectiva de uma mulher, e “Misericórdia” (2022), que trata da velhice e da finitude.
“A sua escrita, marcada por uma prosa poética densa, aborda o passado ditatorial de Portugal, a condição feminina, o impacto das transformações históricas na vida cotidiana, o significado das revoluções, a emigração, as tensões entre a sociedade moderna e pós-moderna, os conflitos entre gerações, as rupturas familiares, com um estilo literário de forte carga lírica e foco na memória coletiva. Por todos estes motivos, o júri considerou, unanimemente, Lídia Jorge merecedora do Prémio Camões 2026”, afirma o texto divulgado pelo júri.
Os jurados nesta edição foram o professor José Carlos Seabra Pereira, da Universidade de Coimbra; a professora, poeta e ensaísta Ana Mafalda Leite, da Universidade de Lisboa; a professora e pesquisadora Lucia Santaella, da PUC-SP; o professor, jornalista e historiador brasileiro José Ribamar Bessa Freire; o escritor e crítico literário angolano Lopito Feijó; e a escritora, poeta e professora Odete Semedo, de Guiné-Bissau.
Em nota, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, afirmou que a escolha “celebra uma das grandes vozes da literatura em língua portuguesa” e destacou o papel do prêmio na valorização da cultura e no diálogo entre países lusófonos.
Já o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Marco Lucchesi, descreveu Lídia Jorge como uma escritora de “consciência vigilante”. “Ela vive no coração do presente. Aponta para todas as contradições, dentro de uma perspectiva em que a política e a poética mostram-se inseparáveis, muito embora prevaleça, que a chamou ainda de “uma das glórias da língua portuguesa”.
Instituído em 1988 pelos governos do Brasil e de Portugal, o Prêmio Camões é o mais troféu literário da língua portuguesa. Desde 1989, reconhece autores pelo conjunto da obra e já contemplou escritores de diferentes países lusófonos, como Portugal, Brasil, Moçambique, Angola e Cabo Verde. No ano passado, a vencedora foi a angolana Ana Paula Tavares, atração confirmada na próxima Festa Literária Interacional de Paraty (Flip), que acontece de 22 a 26 de julho. Entre os brasileiros já laureados, destacam-se Adélia Prado, João Cabral de Mello Neto, Lygia Fagundes Telles, Dalton Trevisan, Raduan Nassar e Chico Buarque.
