Antes de qualquer “carro voador” decolar comercialmente em São Paulo, um problema bem menos futurista do que o desenho das aeronaves elétricas precisa ser resolvido: como levar energia em alta potência, de forma confiável, até o topo de um prédio. Para solucionar esse desafio, a Eve Air Mobility, fabricante controlada pela Embraer, e a multinacional Hitachi Energy anunciam uma aliança estratégica focada no desenvolvimento da infraestrutura de recarga para as aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical (eVTOLs).
O memorando de entendimento anunciado nesta sexta-feira une a expertise de cada uma das empresas mirando a expansão comercial do modal. O foco inicial das operações recai sobre os mercados de São Paulo e Nova York, metrópoles que já concentram as maiores demandas e volumes de operação de mobilidade aérea urbana no mundo.
Pelo acordo, a Hitachi vai adaptar ao eVTOL sua tecnologia de carregamento Grid-eMotion, já usada em outros mercados de eletromobilidade. A promessa é cobrir toda a cadeia — da rede elétrica até o plugue da aeronave — e também avaliar o reaproveitamento de baterias usadas em aviação como sistemas de armazenamento de energia depois do fim de sua vida útil no ar.
— A infraestrutura elétrica é um elemento fundamental para viabilizar operações seguras, eficientes e escaláveis de eVTOL. Não se trata apenas de instalar carregadores, mas de planejar a disponibilidade de potência, os ciclos de recarga, a integração com a rede e a operação em solo — diz Luiz Mauad, vice-presidente de Serviços ao Cliente da Eve.
