O Teatro Claro Mais vira palco de um universo onde o esplendor das rádios dos anos 50 encontra a crueza do teatro épico de Brecht, revelando a mulher por trás do mito e o fã por trás do ator. A partir de 31 de julho, assinantes podem assistir ao espetáculo com desconto, em sessões às quintas e aos sábados, às 20h, e às sextas e aos domingos, às 17h.
“Minha Estrela Dalva” não é uma biografia, mas um encontro impossível. Em cena, o ator e dramaturgo Renato Borghi invade o camarim de sua musa, Dalva de Oliveira, para realizar um sonho que a vida interrompeu: propor a ela um espetáculo revolucionário onde a “Rainha da Voz” cantaria as canções de Bertolt Brecht e Kurt Weill.
Neste “delírio documentado”, passado e presente se fundem sob a direção artística de Elias Andreato e Elcio Nogueira Seixas, que também sobe ao palco para dar vida ao Renato jovem. “Desde o início dos anos 90, divido e multiplico a cena do mundo com Renato. Fui seu aluno e tornei-me seu parceiro na arte. Dalva entrou em mim como entrou nele — pela voz, pelo espanto, pelo chamamento.”, diz Elcio
Borghi, interpretando a si mesmo, dialoga com uma Dalva no auge de sua glória e vulnerabilidade. “Tudo começou com um Renato ainda menino. Aos seis anos de idade, ganhei de minha mãe um disco da trilha sonora de ‘A Branca de Neve’, onde a voz da princesa era interpretada por Dalva de Oliveira. Ali, na vitrola da infância, nasceria uma paixão avassaladora e que atravessaria décadas, palcos e revoluções – culminando no encontro real e improvável entre fã e diva poucos anos antes dela nos deixar”, lembra Renato Borghi.
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Dalva de Oliveira é vivida pela premiada atriz Soraya Ravenle, que por coincidencia ou destino, iniciou sua trajetória no teatro musical no coro de “A Estrela Dalva” (1987), sucesso de Borghi com Marília Pêra, e retorna agora para ocupar o centro do palco e encarnar a própria Estrela. “Nem nos meus mais belos sonhos eu poderia imaginar estar ao lado de Renato Borghi para falar de seu amor e devoção por Dalva de Oliveira, considerada por Villa-Lobos e tantas outras pessoas como a maior cantora popular brasileira.”, relata Soraya.
Ao revisitar a trajetória da cantora, a peça mostra que cada homem que passou pela vida da estrela exerceu sobre ela uma variação do mesmo poder: o poder de definir quem ela era, quanto valia e quando deveria desaparecer. A resposta de Dalva, que atravessa a peça como um refrão, é uma só: “Eu não tenho dono.”
Com a conhecida potência vocal, Soraya não interpreta apenas a “Rainha do Rádio”, mas a força da natureza que cantou a dor rasgada, a mulher que desafiou os moralismos de sua época com o peito aberto e a garganta em chamas. A atriz traz à cena o mito humano, o “Rouxinol do Brasil” que ensinou a um país inteiro que o sofrimento, quando cantado, vira beleza.
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No elenco, o ator Ivan Vellame empresta sua voz de beleza rara e dá vida aos amores tempestuosos que marcaram a história da cantora, com destaque para o compositor Herivelto Martins. “Eu espero que, principalmente, os homens, saiam do teatro mais amorosos, menos machões”, destaca Vellame.
A encenação ganha força com os arranjos e a direção musical de William Guedes, que conduzem a sonoridade afetiva do espetáculo. Os corpos dos atores se movem sob a delicada direção de Roberto Alencar e Irupe Sarmiento. Já a parte visual é criada pelo cenário monumental de Márcia Moon, pela iluminação de Wagner Pinto e pelos figurinos de Fábio Namatame.
Impulsionado pelo amor incondicional de Borghi, o espetáculo revisita suas memórias para homenagear uma das maiores cantoras brasileiras. Assinantes O GLOBO garantem desconto para assistir em cena o reencontro de um artista com sua musa. É imperdível!
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“Minha Estrela Dalva”
| Temporada: 31 de julho a 27 de setembro |
| Sessões: quintas e sábados, às 20h; sextas e domingos, às 17h |
| Local: Teatro Claro Mais |
| Endereço: Rua Siqueira Campos, 143 – Loja 58, Copacabana – Rio de Janeiro, RJ |
