Mais uma crise interna no IBGE. A da vez é a decisão da presidência de impedir que servidores aprovados pelo Concurso Público Nacional Unificado (CPNU) ingressem no Programa de Gestão e Desempenho (PGD) — e, consequentemente, no regime de teletrabalho após o primeiro ano obrigatório de trabalho presencial.
A medida, aprovada pelo Conselho Diretor na última quarta-feira, provocou reação imediata da Executiva Nacional da ASSIBGE-SN, que acusa a gestão de romper a isonomia entre servidores (antigos e do CPNU) qsubmetidos ao mesmo regime jurídico.
O sindicato anunciou uma ofensiva para cobrar os fundamentos jurídicos e administrativos da decisão, pedir acesso à ata da reunião que aprovou a mudança e organizar mobilizações da categoria.
A resposta da direção veio rapidamente e em tom considerado autoritário. Em comunicado interno distribuído por determinação da diretora de Geociências, Maria do Carmo Dias Bueno, servidores foram orientados a não procurar diretamente outras diretorias ou coordenações-gerais. Segundo a mensagem, toda comunicação com essas áreas deverá passar pelo gabinete da diretoria.
O texto também relembra o dever de obediência aos superiores hierárquicos e reforça a cadeia de comando do órgão: “Servidores falam com gerentes; gerentes falam com coordenadores; coordenadores falam com diretores; diretores falam com diretores e diretores falam com o presidente.”
Nos bastidores, o comunicado foi recebido como uma resposta à mobilização contra as novas regras do PGD e interpretado por parte dos servidores como um endurecimento da gestão diante dos questionamentos sobre o fim da possibilidade de teletrabalho para os novos concursados.
Procurado, o IBGE ainda não se posicionou sobre a decisão.
