Calor e umidade tão intensos, prolongados e abrangentes como os desta semana teriam sido “virtualmente impossíveis” no nordeste e leste do Canadá e Estados Unidos antes que os humanos começassem a aquecer o planeta, disse uma equipe de cientistas nesta sexta-feira. As emissões de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa provenientes da queima de petróleo, gás e carvão retiveram mais calor solar na superfície da Terra, elevando as temperaturas em todo o mundo por mais de um século. Ondas de calor no verão do Hemisfério Norte não são novidade, mas, devido ao excesso de calor em todo o planeta causado pelo aquecimento global, elas podem produzir temperaturas mais altas hoje do que antigamente.
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Para estimar em quanto as mudanças climáticas aumentaram a probabilidade das condições sufocantes registradas nesta semana, os cientistas analisaram registros de uma medida de estresse térmico chamada “temperatura de globo de bulbo úmido” (wet bulb globe temperature), que leva em consideração fatores como umidade, vento e incidência direta de luz solar. Como a onda de calor ainda está em andamento, os pesquisadores combinaram dados de observações meteorológicas com previsões do tempo.
Eles descobriram que a média de cinco dias mais alta desta semana para a temperatura de bulbo úmido no nordeste dos Estados Unidos e leste do Canadá ainda é rara no clima atual, com uma probabilidade de ocorrência de aproximadamente 0,5% em qualquer ano. Mas teria sido tão rara a ponto de ser praticamente impossível no mundo mais frio antes da Revolução Industrial, concluíram.
Os cientistas são afiliados à World Weather Attribution, uma colaboração que examina eventos climáticos extremos para determinar em que medida foram influenciados pelo aquecimento global. Suas descobertas ainda não foram publicadas em uma revista acadêmica com revisão por pares.
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No mês passado, o mesmo grupo de pesquisadores analisou o recente calor intenso na Europa Ocidental e concluiu que as mudanças climáticas também contribuíram para essa onda de calor.
“No aniversário de 250 anos dos Estados Unidos, nosso estudo oferece uma clara constatação da realidade”, disse Theodore Keeping, cientista climático do Imperial College London que trabalhou na análise. “O clima que o país tem hoje é fundamentalmente diferente daquele que existia quando os pais fundadores assinaram a Declaração de Independência.”
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Nos EUA, a costa leste está registrando temperaturas particularmente altas nesta sexta-feira, com previsão de até 45°C em Nova York, o que ameaça interromper a Copa do Mundo e as comemorações do 250º aniversário da independência nacional. Somando-se à alta umidade, a sensação térmica deverá atingir 40°C em Boston e Filadélfia, e 45°C na capital, Washington D.C.
“Este nível de calor pode ser fatal para aqueles que não possuem ar condicionado adequado e não se mantêm suficientemente hidratados”, alertou o Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) do Estado de Nova York.
Na cidade mais populosa dos Estados Unidos, “o pico da onda de calor é esperado hoje, com temperaturas que podem chegar a 46°C”, alertou o prefeito Zohran Mamdani na manhã de sexta-feira.
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Com diversos eventos ao ar livre planejados para a ocasião dos 250 anos da independência, o clima pode estragar a diversão. Em Washington D.C., um grande concerto em frente ao Capitólio está em risco, e a abertura pública das festividades de sábado foi adiada por várias horas.
Na manhã de sexta-feira, vários pais e seus filhos pequenos se reuniram em uma piscina sombreada na capital.
— Está um calor insuportável e não há para onde ir — disse Anya Gellerman, de 26 anos, à AFP, segurando uma caixa térmica.
No dia anterior, o calor sufocante já havia batido recordes para o dia 2 de julho em Washington e Boston.
E as temperaturas mal baixaram durante a noite. Esta onda de calor deverá bater novos recordes na sexta-feira e no sábado, segundo os meteorologistas. Poderá afetar a Copa do Mundo da Fifa que está sendo realizada nos Estados Unidos, Canadá e México.
Enquanto alguns estádios possuem cobertura e ar condicionado (Atlanta, Dallas, Los Angeles), outros não, como o de Filadélfia, onde Paraguai e França se enfrentarão no sábado pelas oitavas de final. Antes disso, as seleções nacionais da Argentina e de Cabo Verde já haviam sentido os efeitos desse calor sufocante em Miami, onde o estádio tem um grande teto, mas não possui ar-condicionado.
Às 18h, horário local, início da partida, a previsão é de que o índice de calor seja de 38°C.
