Para interpretar Elis Regina no musical em homenagem à cantora lançado em 2013, Laila Garin precisou desbancar cerca de 200 candidatas que sonhavam com o papel. A escalação foi um golaço. Logo no início da temporada, ela arrebatou o público com sua interpretação, e os ingressos se esgotavam com três semanas de antecedência. Todos queriam ver a baiana de olhos azuis e cabelos ruivos encaracolados se transformar na Pimentinha. Laila já tinha uma extensa carreira como atriz àquela altura, mas recebeu, com a montagem, as credenciais para o estrelato. Um status que garantiu a ela o convite direto para protagonizar “Piaf — Eu não me arrependo”, seu novo musical que estreia no próximo dia 7, no Teatro Bradesco, em São Paulo, e chega ao Rio em outubro, no Teatro Riachuelo.
Dirigida por Sérgio Módena e com texto de Newton Moreno, a montagem é uma produção da Aventura, que tem sucessos como “Hair”, “Chacrinha” e o próprio “Elis, a musical” na cartela. Diretora artística e produtora geral do espetáculo, Aniela Jordan conta ter pensado “imediatamente” no nome de Laila quando o projeto começou a se materializar. “É uma superatriz, com um canto lindíssimo. Tem tudo o que precisávamos para uma obra dramática como esta”, diz Aniela, empolgada com o que já viu nos ensaios. “Fizemos um primeiro ‘corrido’, e todo mundo chorou. Ela incorpora a embocadura da Piaf. É um monstro em cena.”
O convite para o novo trabalho guarda, ainda, uma doce coincidência do destino. Laila vinha se preparando há anos para propor uma peça sobre a cantora francesa que morreu em 1963, aos 47 anos, e entrou para a História como um dos maiores ídolos de seu país. Com pai francês e mãe baiana, a atriz cresceu ouvindo as canções de Édith Piaf e tem familiaridade com o repertório, mas precisava reunir as “condições emocionais” necessárias para mergulhar na intensa história. Essa força se manifestou justamente no ano em que completa três décadas de carreira e foi acrescida de uma imersão na vida da homenageada, com leituras de publicações, pesquisas em vídeos e até uma visita ao túmulo da artista, em Paris.
