Seu filho quer um videogame? Veja o que considerar antes de comprar

Seu filho quer um videogame? Veja o que considerar antes de comprar


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Dúvida da semana 🤷‍♀️🤷
“Queria comprar um videogame para o meu filho, mas não sei qual é o melhor. Vale a pena adquirir um Xbox?”
Você foi uma criança que jogou videogame? Eu fui. E, vendo minha filha jogar de vez em quando, percebi o quanto esse universo mudou nos últimos 30 anos.
Quando ela começou a se interessar por videogame, resolvi mergulhar de novo nesse mundo. Pesquisei, testei alguns jogos, brinquei com ela… A dúvida que recebemos nesta semana me mostrou que, intuitivamente, eu estava no caminho certo.
Os especialistas que ouvimos explicam que, antes mesmo de escolher entre Xbox, PlayStation ou Nintendo, a primeira pergunta deve ser para os pais: quanto você está disposto a participar dessa experiência?
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Palavra dos especialistas 👩‍🏫👨‍🏫
Fernando Lino – Neuroeducador, especialista em segurança digital e responsável pelo programa Guardião Digital
🕹️ Antes de falar de Xbox, PlayStation ou qualquer console específico, vale começar por um princípio que serve para toda a vida digital da criança: todo dispositivo novo que entra em casa traz, junto, uma nova camada de responsabilidade. E o melhor momento para deixar isso claro é exatamente na hora da entrega. Combinados, horários, limites e regras de uso precisam estar acertados antes de o videogame ser ligado pela primeira vez — depois, fica muito mais difícil voltar atrás.
👥 Dito isso, preciso fazer uma defesa que poucas famílias param para considerar: o videogame tem um papel de socialização importantíssimo, especialmente entre os meninos. É muito comum que, depois da escola, eles se “encontrem” no mundo virtual para continuar a brincadeira. E na realidade brasileira de hoje, sejamos honestos, muitos pré-adolescentes acabam se encontrando mais virtualmente do que presencialmente. Para esses meninos, o jogo on-line virou o quintal, a rua, a praça que em muitos lugares já não existe mais.
🏡 O videogame pode, sim, ser uma tela positiva, mas isso depende de algumas condições. A principal delas é onde o console fica: o ideal é uma área compartilhada da casa, onde você consiga ver o que seu filho está jogando e, igualmente importante, ouvir com quem ele está conversando. Aqui vai um ponto de atenção que costuma passar despercebido: os chats de voz dos jogos. É por ali que a criança interage com outros jogadores — nem sempre da idade dela — e é por ali que vale manter o ouvido atento.
🎮 Se você tiver interesse, abre-se uma porta rara: jogar junto. Sentar do lado do seu filho e dividir uma partida é uma das poucas chances de viver um momento de diversão com as telas, e não contra elas. E garanto: é mil vezes melhor do que ele estar sozinho, trancado no quarto, com o celular na mão. Mil vezes mesmo.
👶 Sobre idade, não existe uma resposta mágica. Mas, se for feito do jeito certo, acredito que a criança já pode se beneficiar a partir dos 6 ou 7 anos, com jogos de mundo mais controlado. O Minecraft é o exemplo clássico. O segredo nunca está só na idade; está sempre na forma.
⏳ E uma dúvida comum dos pais é como o videogame entra na conta do tempo de tela. A resposta é simples: ele deve ser considerado dentro do limite diário da criança, mas vale olhar também para a qualidade desse tempo. Nem todo jogo provoca o mesmo efeito. Alguns, como Minecraft, estimulam a criatividade e podem até ser configurados para que a criança jogue em um ambiente mais controlado. Já outros, mais acelerados e hiperestimulantes, podem deixá-la agitada e com dificuldade de desligar.
🔎 Um bom termômetro é observar o comportamento depois da partida: passados alguns minutos, ela consegue seguir para outra atividade normalmente ou continua querendo voltar ao jogo o tempo todo? Essa observação costuma dizer muito sobre se aquela experiência está sendo positiva ou não.
📱 Vale lembrar também que tanto o Xbox quanto o PlayStation têm aplicativos de controle parental que você configura e gerencia direto do seu próprio celular: tempo de uso, jogos liberados por classificação indicativa, contato com outros jogadores, gastos dentro dos jogos. Não adianta comprar e deixar a configuração para depois — essa etapa faz parte do “combinado” lá do começo.
❤️ Por fim, o lembrete mais importante: nada disso funciona no piloto automático. Tudo o que falei aqui exige tempo e conhecimento dos pais. Então, antes de embarcar nessa jornada, faça uma pergunta honesta a si mesmo: eu tenho as ferramentas e o tempo necessários para acompanhar de perto? Se a resposta for sim, pode ser uma experiência muito divertida — para os dois.
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Priscilla Montes – Educadora especialista em infância e adolescência
🧠 Primeiro de tudo, importante falarmos que o videogame, por si só, não é um vilão do desenvolvimento infantil. O que faz diferença é a forma como ele é inserido na rotina da criança e na dinâmica familiar. Por isso, antes de perguntar se vale a pena comprar o aparelho, os pais devem se perguntar se o filho já demonstra maturidade para lidar com esse recurso, respeitando limites, combinados, regras estabelecidas previamente e consegue equilibrar outras atividades importantes e essenciais da infância.
👶 Quanto à idade, não existe uma idade específica para ganhar um videogame. Essa decisão depende muito mais do desenvolvimento e da maturidade da criança do que da idade cronológica. O importante é observar se ela, por exemplo, consegue lidar com frustrações, aceitar o momento de desligar, cumprir combinados, se interessa pela vida ao ar livre e pela socialização no modo presencial, mantém o interesse por brincar, praticar atividade física, conviver com a família e dormir adequadamente.
🔒 Outro ponto que merece atenção é o conteúdo. Muitas famílias se preocupam apenas com o tempo de uso, mas esquecem de avaliar a classificação indicativa dos jogos e as interações online. Já sabemos que, hoje, muitos jogos permitem conversas com desconhecidos, compras dentro da plataforma e acesso a conteúdos que nem sempre são adequados para crianças.
⏱️ Também não existe um número de horas que seja ideal para todas as famílias, mas o ponto principal e fundamental é que o videogame não substitua experiências essenciais para o desenvolvimento acadêmico, social e emocional. O videogame não pode ser a primeira opção de uma criança.
🎲 Sempre oriento que o videogame seja encarado como mais uma ferramenta de lazer e diversão, e não como uma necessidade da infância. Quando os pais conhecem os jogos, participam desse universo, estabelecem regras claras e acompanham o uso, a tecnologia tende a ocupar um lugar muito mais saudável na vida da criança.
❤️ Portanto, ao optar por colocar o videogame na vida da criança, o desafio não é apenas o tempo de uso, mas entender que esses aparelhos trabalham no cérebro da criança com recompensas rápidas e constantes, ativando intensamente os circuitos de motivação. Por isso, quanto menor a capacidade de autorregulação da criança, maior deve ser a mediação dos adultos. O objetivo não é proibir, mas ensinar a criança a desenvolver uma relação saudável com a tecnologia e, para isso, o adulto precisa assumir, em primeiro lugar, sua responsabilidade de proteger a infância.
Leitura: Como incentivar seu filho a ler na pré-adolescência e adolescência?
Tempo de tela: como evitar que crianças e adolescentes fiquem viciados no celular
NO RADAR 👀 – Guia rápido dos 6 principais videogames e telas de jogo para crianças e adolescentes, por Fernando Lino (Guardião Digital)
1. PlayStation 5
Console de mesa com muitos jogos e recursos on-line.
✅ Pontos positivos:
Controles parentais completos e bem estruturados.
⚠️ Pontos de atenção:
Não é recomendado para crianças com menos de 10 anos, caso elas ainda não compreendam bem as configurações e combinações necessárias para um uso seguro.
2. Nintendo Switch
Console portátil e versátil, ideal para jogar em família.
✅ Pontos positivos:
Jogos geralmente mais leves e familiares. Menor exposição a chats abertos.
⚠️ Pontos de atenção:
Alguns jogos permitem compras na loja virtual e chat por voz.
3. Xbox Series X/S
Console de mesa com catálogo amplo de jogos e serviço Game Pass.
✅ Pontos positivos:
Controles parentais robustos. Bons filtros de conteúdo.
⚠️ Pontos de atenção:
Os recursos online e a interação com outros jogadores exigem acompanhamento constante da família.
4. PC Gamer
Computador de alta performance, com grande liberdade para jogar, criar e instalar programas.
✅ Pontos positivos:
Alta capacidade de personalização. Ferramentas de controle disponíveis.
⚠️ Pontos de atenção:
Maior exposição a conteúdos variados da internet e aos riscos associados ao ambiente online.
5. Celular
Sempre à mão, mas também a tela mais presente no dia a dia.
✅ Pontos positivos:
Facilidade para instalar aplicativos de controle parental.
⚠️ Pontos de atenção:
É a tela mais pessoal e, por isso, costuma concentrar mais distrações e dificuldades de supervisão.
6. Tablet
Boa opção para aprender e se divertir de forma equilibrada.
✅ Pontos positivos:
Tela adequada para atividades educativas. Recursos voltados para aprendizagem.
⚠️ Pontos de atenção:
Pode favorecer o uso excessivo se não houver limites claros e acompanhamento.
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