A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de proibir as visitas do senador Flávio Bolsonaro (RJ) ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, por um período de 90 dias foi recebida com indignação pelo núcleo duro da campanha do pré-candidato do PL à Presidência. Na prática, a decisão de Moraes inviabiliza qualquer visita de Flávio a Jair até o primeiro turno das eleições, que vai ocorrer em 4 de outubro.
Na leitura de interlocutores de Flávio ouvidos reservadamente pela equipe do blog, a decisão de Moraes tem um “marco temporal bem estratégico”, ao impedir, na prática, que o filho 01 mantenha interlocução com o pai em um momento-chave do calendário eleitoral, com a definição de palanques estaduais e a realização da convenção que vai formalizar a sua candidatura à presidência, programada para o fim deste mês.
“Flávio não usou rede social alguma. Inclusive Flávio já havia lido outra carta do pai, aquela em que ele o escolheu como o candidato da família! Bolsonaro pode, querendo, dar entrevistas. Lula deu várias. Se ele pode dar entrevistas, e o próprio Moraes já permitiu isso, por qual motivo suas cartas não podem ser lidas por terceiros?”, questionou um interlocutor de Flávio.
“Flávio não pode falar em público ‘conversei com meu pai e ele disse isso….”? É proibido relatar conversas? Qual a diferença de ler uma carta? A carta é sigilosa?”
Em dezembro do ano passado, Moraes havia autorizado Bolsonaro a conceder entrevista ao portal Metrópoles, mesmo preso. O ex-presidente, no entanto, acabou cancelando a entrevista alegando “questão de saúde”.
Em setembro do ano passado, a Primeira Turma do Supremo condenou Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão na ação penal da trama golpista, sob a acusação de liderar uma organização criminosa para se perpetuar no poder. Entre as medidas cautelares impostas por Moraes ao ex-presidente, está a “proibição de utilização de redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros”.
Na decisão desta segunda-feira, Moraes destacou um trecho da fala de Flávio ao fazer a leitura da carta do pai. “É imperdível, um recado muito importante que ele quer dar a toda a nossa nação”, afirmou o senador.
Na avaliação de Moraes, essa fala sugere que Bolsonaro tinha “plena ciência de que sua carta seria divulgada em redes sociais”, o que, na visão do ministro, “configuraria igualmente desrespeito à medida cautelar a que está submetido”.
